MORTE AOS HEREGES

Inquisição: Morte aos hereges
Durante quase 700 anos, a Inquisição Católica espalhou o terror pelo
mundo, torturando e matando judeus, muçulmanos, bruxas, gays ou quem se
atrevesse a pensar diferente.
por Eduardo Szklarz
Ainda era madrugada quando uma multidão tomou conta da Plaza del
Volador, na Cidade do México, naquele 11 de abril de 1649. Muita gente
tinha viajado dias a fio para garantir um dos 16 mil assentos perto do
palco – uma gigantesca plataforma de 860 metros quadrados adornada com
figuras de crianças tocando trombetas. Depois de um mês de preparativos,
chegara o dia do auto-de-fé, a representação terrena do Dia do Juízo. A
grande atração da festa eram 13 prisioneiros acusados de professar o
judaísmo em segredo. Eles já haviam sido perdoados uma vez, mas
reincidiram no crime. Os inquisidores os chamavam de “relaxados ao braço
secular” – ou seja, saíam da responsabilidade da Igreja para serem
mortos pelas autoridades do governo.
Ao amanhecer, a procissão com os acusados deixou a sede do Santo Ofício
em direção ao palco para a celebração da missa. No começo da fila, 57
bonecos (as “efígies”), que representavam hereges fugidos ou já mortos,
eram carregados. Depois iam dezenas de prisioneiros “reconciliados”, que
teriam direito de viver desde que não voltassem a cometer heresias.
Atrás deles, os 13 condenados à morte, segurando uma cruz e vestindo um
chapéu em forma de cone (chamado coroza) e o sambenito (túnica com
desenhos do demônio). Os inquisidores, a cavalo, vinham por último na
fila do cortejo, seguidos por uma mula enfeitada com sinos de ouro e
prata, que carregava um baú com os relatórios dos processos e as
sentenças dos acusados.
Depois da missa, os relaxados ouviram sua sentença de morte no palco.
Quase todos garantiram ser bons cristãos e pediram misericórdia. Apenas
um, Tomás Treviño de Sobremonte, admitiu que era judeu e não implorou
perdão. Por isso, foi queimado vivo. Os outros tiveram um destino mais
piedoso: o garrote – e só depois foram jogados, já mortos, na fogueira.
Os bonecos também arderam nas chamas. Como os hereges que eles
representavam não estavam presentes, esse ritual era chamado de “queima
em efígie” e, na prática, servia para encher de vergonha seus
descendentes. Já os reconciliados receberam penas “leves”, como açoites,
torturas e confisco de bens. A festança varou a noite, com a platéia
alvoroçada.
O auto-de-fé de 1649 foi talvez o maior já realizado nas Américas. Mas
hoje os historiadores sabem que espetáculos assim eram apenas a ponta do
iceberg do que realmente foi a Inquisição. Agindo em nome de Deus, mas
movida por interesses políticos e econômicos, ela espalhou o medo e a
discriminação ao longo de quase sete séculos. Os inquisidores e seus
representantes agiram na Europa, Ásia e América, lugares tão variados
como as vítimas que perseguiram: judeus, muçulmanos, hindus,
protestantes, bruxas, bígamos, sodomitas ou quem quer que cometesse o
crime de pensar diferente.
Origens medievais
Os historiadores fazem distinção entre a Inquisição medieval (ou papal),
que vigorou na França, Itália e outros países europeus a partir do
século 13, e a Inquisição moderna, que alcançou seu apogeu na península
Ibérica entre os séculos 15 e 18. “Não há uma data certa do início da
Inquisição medieval. Ela foi fruto de uma longa evolução na qual a
Igreja se sentiu ameaçada em seu poder”, diz a historiadora Anita
Novinsky, autora de Inquisição. “Os questionamentos sobre a verdade
absoluta do catolicismo aumentaram a partir do século 13, e os
indivíduos que partilhavam dessas idéias eram chamados de hereges.”
O termo “heresia” vem do grego hairetikis, que significa “aquele que
escolhe”. De fato, na Grécia antiga a heresia era apenas uma escolha do
que a pessoa achava melhor para si, sem qualquer conotação religiosa. Na
Idade Média, porém, a Igreja expandiu esse conceito de tal forma que a
heresia passou a abranger todas as opiniões contrárias aos dogmas
católicos. O combate aos hereges começou a tomar forma com um tratado
escrito no século 12 pelo abade Pedro, o Venerável, que chefiava a
abadia de Cluny, na região francesa da Borgonha. Ele afirmava que, para
eliminar a heresia do seio da Igreja Católica, que chamava de “Corpo de
Cristo”, era necessária uma purgação, composta de quatro fases:
investigatio (investigação), discussio (discussão), inventio (achado) e
defensio (defesa). Aquele era o passo-a-passo da futura Inquisição.
“Desse modo, o tratamento aplicado à infecção no Corpo de Cristo
começava com pesquisas [daí o termo ‘inquisição’] que os bispos e seus
representantes realizavam antes da criação de tribunais especializados”,
diz o historiador britânico John Edwards, da Universidade de Oxford.
Para que a caça aos hereges surtisse efeito, era necessário o apoio do
Estado. “Embora a Inquisição medieval tenha sido idealizada e dominada
pelo papa, ela contou com o auxílio dos soberanos”, diz Anita. Isso
mostra o caráter político das perseguições, numa época em que não havia
clara separação entre Igreja e Estado. O divisor de águas nessa
empreitada foi o 4º Concílio de Latrão, convocado pelo papa Inocêncio
III em 1215. Seu principal objetivo era resolver o problema dos cátaros
(ou albigenses), um grupo de cristãos do sul da França que contestava os
dogmas da Igreja. Ficou decidido que quem se negasse a aceitar a fé
católica seria excomungado e entregue à autoridade secular (ou seja, aos
funcionários da coroa) para ser castigado, pois a Igreja não podia
derramar sangue.
O sacerdote espanhol Domingos de Gusmão botou o plano em prática com a
criação da Milícia de Jesus Cristo, cujos membros estavam dispostos a
pegar em armas para defender a fé. “Esses milicianos foram os primeiros a
usar técnicas de crueldade e violência, copiadas depois pela Inquisição
moderna”, diz Anita. Como muitos cátaros fugiram da França para o reino
de Aragão, na atual Espanha, não tardou para que os inquisidores
realizassem lá violentos espetáculos de massa, que seriam os precursores
dos autos-de-fé modernos – em 1314, por exemplo, seis hereges foram
jogados no fogo.
O método de perseguição dos inquisidores era simples: eles visitavam os
povoados, em geral acompanhados de funcionários da Justiça local, e
convocavam a população na igreja principal. Cada pessoa tinha que
confessar seus erros e os dos amigos e parentes no prazo médio de 30
dias. Os processos eram feitos na base da delação, dos rumores, do
diz-que-diz, e contavam com espiões locais conhecidos como “familiares” –
homens influentes da sociedade. Se os inquisidores não juntassem provas
de heresia naquele prazo, não tinha problema: os suspeitos eram
condenados mesmo assim a penas como excomunhão, confisco de bens,
prisão, açoite e mesmo morte. As fogueiras davam um caráter mítico aos
autos-de-fé, que atraíam o povo com promessa de redenção.
O mais famoso inquisidor medieval foi o teólogo catalão Nicolau
Aymerich, autor do Directorium Inquisitorium, uma espécie de manual da
Inquisição. Ele dizia que o segredo era a base do trabalho, pois
protegia os delatores. A obra também “ensinava” como identificar
feiticeiras e contribuiu para a histeria da caça às bruxas, um fenômeno
paralelo à Inquisição que chegou ao auge entre os século 15 e 17. Os
historiadores estimam que 50 mil pessoas (75% delas mulheres) tenham
sido queimadas por suspeita de bruxaria, pacto com o diabo ou por
“lançar mau-olhado” em províncias de países como Alemanha, Suíça,
Polônia, Dinamarca e Inglaterra.
Novas motivações
“A Inquisição medieval entrou em decadência com o Renascimento no século
15”, diz a historiadora Neusa Fernandes, vice-presidente do Instituto
Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. “Porém, ela seria revigorada
na Espanha e em Portugal, perseguindo não apenas os hereges, mas
sobretudo uma nova gama de criminosos: os judeus.” Mas por que eles?
Tudo começou no século 4, quando o cristianismo deixou de ser uma seita
perseguida para se tornar a religião oficial do Império Romano. Já em
325, o Concílio de Nicéia culpou os judeus pela morte de Jesus (acusação
só retirada em 1965, no Concílio Vaticano 2o). Boa parte dessa
hostilidade procedia do próprio Novo Testamento – nele, há menções de
que os judeus sejam filhos do diabo e que se culparam pela morte de
Jesus. “Os Evangelhos foram escritos muitas décadas depois da morte de
Jesus por pessoas que não conheciam de primeira mão os acontecimentos de
sua vida, mas que viveram no clima de rivalidade que a incipiente
comunidade cristã mantinha com o judaísmo”, diz o historiador americano
Daniel Goldhagen, da Universidade de Harvard. Pregadores cristãos
trataram de falar mal dos judeus e, assim, a Europa medieval viu crescer
vários mitos: eles teriam chifres e rabos, fariam rituais com sangue de
crianças cristãs e seriam os responsáveis pela peste negra.
Em 1215, o 4º Concílio de Latrão (o que condenou os cátaros) proibiu o
casamento entre judeus e não-judeus, impediu os judeus de exercerem
funções públicas e os obrigou a usar distintivos sobre as roupas, como a
estrela amarela imposta por Luís IX na França. O anti-semitismo
aumentava cada vez mais. A Inglaterra expulsou os judeus de seu
território em 1290 e a França, em 1306. A Espanha foi mais dura: cerca
de 4 mil foram assassinados em Sevilha apenas em 1391. Para escapar da
morte, milhares de judeus espanhóis procuraram o batismo. Isso criou
três novos grupos: os judeus que se salvaram dos massacres e mantiveram a
fé judaica, os que se converteram ao cristianismo mas praticavam a
religião secretamente (criptojudeus) e os que se converteram de verdade
(conversos). Estes últimos esperavam ter todos os direitos dos cristãos.
Mas, na prática, foi diferente. Eles continuaram sendo culpados pelos
males da nação e ganharam o apelido de marranos (porcos).
As perseguições também tinham sua motivação econômica, já que os judeus
haviam alcançado postos importantes na economia e nas universidades. A
política racista imperou na Espanha através dos “estatutos de pureza de
sangue”. Eles asseguravam que nenhum descendente de judeu ou mouro podia
freqüentar universidades, ingressar em ordens religiosas e militares ou
ter cargos políticos. Os candidatos a esses postos precisavam
apresentar a “habilitação de genere”, uma espécie de árvore genealógica
que mostrava que não tinham entre os antepassados nenhuma gota de sangue
“impuro”. A essa altura, portanto, o velho discurso religioso
antijudaico tinha virado um discurso racial contra os judeus
convertidos. Cenário perfeito para o início da Inquisição moderna.
Edição moderna
Poucos casamentos mudaram tanto a história como o da rainha Isabel, de
Castela, com o rei Fernando, de Aragão. A boda de 1469 deu impulso à
unificação da Espanha e selou o destino dos judeus na península Ibérica.
Logo que subiram ao trono, os reis católicos viram que precisavam do
apoio da Igreja e da burguesia para consolidar seu poder. Também tinham
de encher os cofres para expulsar os mouros de Granada, o último bastião
muçulmano na península desde a invasão no século 8 pelos exércitos
islâmicos. A solução? Reeditar a Inquisição, tendo agora como alvo
principal os judeus convertidos, e usar os lucros dos confiscos das
vítimas para financiar a guerra contra os mouros.
O plano deu certo. Em 1478, o papa Xisto IV autorizou a criação oficial
do Tribunal da Inquisição na Espanha – embora duvidasse das intenções
religiosas, acabou aceitando a idéia para manter a cooperação entre a
coroa e a Santa Sé. “Apesar daas funções santas que alegou, o Tribunal
da Inquisição foi uma instituição vinculada ao Estado e respondia aos
interesses das facções do poder: coroa, nobreza e clero”, diz Anita.
Sevilha foi o palco do primeiro auto-de-fé da Inquisição moderna em
1481, quando seis pessoas morreram na fogueira. Segundo o historiador
espanhol Andrés Bernáldez, mais de 700 convertidos seriam queimados e
outros 5 mil presos ali até 1488. “Diferentemente da Inquisição
medieval, cujos inquisidores eram nomeados pelo papa, na moderna eles
eram nomeados pelos reis e atuavam por intermédio dos tribunais criados
nos reinos, com a autorização do papa”, diz Anita.
Em 1483, Xisto IV autorizou a criação de tribunais em Aragão, Catalunha e
Valência. Quem assumiu como inquisidor-geral foi Tomás de Torquemada,
chefe do mosteiro dominicano de Santa Cruz em Segóvia. Torquemada
iniciava os processos com base em denúncias de todo tipo, inclusive por
carta anônima. Não era preciso provar nada e o acusado não sabia quem
era seu delator. Os tribunais julgavam dois tipos de crime. Os que eram
contra a fé (e tinham como acusados judeus, islâmicos e protestantes,
entre outros) eram mais graves e passíveis de morte. Já contra a moral
(acusados de bigamia, sodomia e bruxaria, por exemplo) eram punidos com
prisão e outros castigos mais leves. O confisco de bens valia para todas
as vítimas.
Com a grana dos confiscos, Fernando e Isabel conseguiram derrotar os
mouros em Granada em 1492, enquanto a Inquisição começava a se expandir
pelas colônias da América. Naquele mesmo ano, os reis católicos
decretaram a expulsão da Espanha de todos os judeus que não aceitassem a
conversão imediata. Quase 150 mil judeus atravessaram a fronteira em
direção a Portugal, enquanto outros 50 mil se dirigiram ao norte da
África e à Turquia. Os mouros da Espanha também tiveram que se converter
ao cristianismo. Seus descendentes seriam desterrados de lá mais tarde,
em 1609.
Em Portugal, até então, cristãos, muçulmanos e judeus ainda mantinham
uma boa convivência. Mas o rei português dom Manuel I acabara de fazer
um contrato de casamento com Isabel, filha dos reis católicos espanhóis.
E uma das cláusulas exigia que ele expulsasse os judeus também de
Portugal. Como os judeus eram grandes negociantes e respondiam por uma
parcela importante da economia, o monarca preferiu transformá-los em
cristãos-novos, com um batismo forçado em 1497. Claro que muitos não
abriram mão da fé com aquele banho coletivo de água benta. Por isso, os
portugueses começaram a acusar os cristãos-novos de serem falsos
cristãos. A violência explodiu em 1506, numa missa de Páscoa no mosteiro
de São Domingos, em Lisboa. Um cristão-novo dissera que um suposto
milagre era apenas um reflexo da luz e foi espancado até a morte. A
raiva contra ele se espalhou pelas ruas, instigada por frades.
Resultado: três dias de carnificina e cerca de 2 mil mortos.
Em 23 de maio de 1536, o rei dom João III conseguiu autorização
definitiva do papa para instalar a Inquisição em Portugal. Nos anos
seguintes, as fogueiras dos autos-de-fé arderam em Lisboa, Coimbra,
Évora e outras cidades. Muitos judeus fugiram para lugares onde podiam
assumir sua identidade, como Amsterdã e Istambul. Outros continuaram a
professar secretamente sua fé nos porões das casas, correndo o risco de
serem pegos.
Legado totalitário
A Inquisição acabou oficialmente em 1821 em Portugal e em 1834 na
Espanha. Depois disso, o Santo Ofício ainda vigorou na Itália e mudou
duas vezes de nome até, em 1965, passar a ser chamado de Congregação
para a Doutrina da Fé. No ano 2000, o papa João Paulo II oficializou o
pedido de desculpas pelos “erros cometidos a serviço da verdade, por
meio do recurso a métodos não-evangélicos”.
Para os estudiosos, o problema da Inquisição vai muito além da
quantidade de mortos: sua herança discriminatória é sentida ainda hoje.
“A Congregação para a Doutrina da Fé advertiu e puniu teólogos
contemporâneos que têm questionado alguns aspectos da doutrina católica e
a infalibilidade da Igreja”, diz Anita. Um deles foi o brasileiro
Leonardo Boff, condenado em 1984 pelo então cardeal (atual papa) Joseph
Ratzinger a um ano de “silêncio obsequioso” por causa dos
questionamentos à hierarquia eclesiástica expostos no livro Igreja:
Carisma e Poder. Durante o interrogatório, Boff se sentou na mesma
cadeira ocupada mais de 300 anos antes pelo físico Galileu Galilei.
Mas o legado da Inquisição ultrapassa as fronteiras do cristianismo.
“Com seu caráter de polícia do pensamento, ela impôs um estado de
paranóia e perseguição institucional que é um claro antecedente dos
totalitarismos atuais”, diz o historiador inglês Toby Green. Exemplo
disso foi o regime nazista, que levou às últimas conseqüências a noção
de pureza da raça. Para Neusa Fernandes, o trabalho do Santo Ofício
continua vivo no racismo, na censura, no controle moral, na miséria, na
violência. Os movimentos fundamentalistas atuais, embora de origens
diversas, também compartilham a atitude dos inquisidores. “Eles pensam
que são donos de toda a verdade e que os outros são hereges”, diz o
escritor americano Richard Zimler, autor de O Último Cabalista de
Lisboa. “Osama bin Laden e os inquisidores portugueses do século 16 se
entenderiam muito bem, pois sua postura moral é exatamente a mesma.”
Confissão forçada
Principais métodos de tortura
A Roda
Para forçar a vítima a falar, os inquisidores amarravam-na na parte
externa da roda com brasas embaixo. Assim, o corpo era queimado à medida
que a roda ia girando. As articulações também sofriam sérios danos.
Essa tortura foi muito utilizada na Inquisição medieval, em países como
Alemanha e Inglaterra. Outra versão da roda tinha ferros pontiagudos, em
vez de brasas, para rasgar a pele.
O Potro
O réu ficava deitado sobre uma cama com ripas, com pernas e braços
amarrados por cordas. Usando um arrocho, os torturadores apertavam as
cordas até dilacerar a carne. Como os métodos de confissão eram mantidos
em segredo, os inquisidores evitavam utilizar essa tortura nos 15 dias
anteriores ao auto-de-fé, para que o povo não visse as cicatrizes do
réu.
O Pêndulo
A vítima era amarrada pelos pulsos, atrás das costas, com correias de
couro. Em seguida, era levantada por cordas e roldanas, solta
bruscamente e segura de novo antes de o corpo alcançar o solo. Os
solavancos destroncavam as juntas e podiam aleijar. Esse tormento tinha
variações, como a polé: a vítima era amarrada também pelos tornozelos e
erguida de barriga para cima.
A Tortura d’água
Nessa espécie de afogamento, o acusado era preso em uma mesa de barriga
para cima. Os inquisidores abriam sua boca e jogavam água por um funil,
fazendo-o engolir vários litros. Também colocavam panos molhados dentro
da garganta, que podiam causar asfixia. Mas, como nos outros métodos, o
objetivo não era matar, e sim forçar a confissão de heresias e a
delação.
Tribunais no Brasil
Inquisição não era oficial, mas funcionava como se fosse
Embora quase não se fale desse assunto, houve, sim, Inquisição no
Brasil. E ela disseminou o racismo aqui por mais de 200 anos. “A
Inquisição nunca foi oficialmente instituída no país, mas nem precisava.
Qualquer religioso regional fazia o papel de inquisidor”, diz a
historiadora Neusa Fernandes, autora do livro A Inquisição em Minas
Gerais no Século XVIII. “Bispos, padres, párocos, todos eram vigias,
todos delatavam. A pessoa era presa, o processo era aberto e ia para
Lisboa.” O Tribunal da Inquisição funcionava aqui através de
representantes locais, os “comissários”. Eles contavam com a ajuda dos
“familiares”, homens influentes que espionavam e faziam denúncias, e dos
“visitadores”, funcionários do Santo Ofício que vinham da metrópole
para acompanhar os processos de devassa. Estima-se que mais de mil
pessoas tinham sido presas e levadas para os cárceres de Portugal e
cerca de 30 condenadas à morte na fogueira. A maioria era formada por
cristãos-novos, mas também havia acusados de feitiçaria, blasfêmia,
bigamia, sodomia, concubinato e até frades apontados como fornicadores.
Como o Santo Ofício sempre agiu no rastro dos homens de negócio, que
rendiam confiscos mais polpudos, a caçada pegou para valer no século 18
com a descoberta do ouro em Minas Gerais. A Inquisição exigia ainda que
candidatos às ordens religiosas brasileiras provassem que não tinham
antepassados “hereges”. Documentos arquivados na Cúria Metropolitana de
São Paulo mostram, por exemplo, que o poeta Cláudio Manoel da Costa foi
recusado por “suspeita de sangue”.
Entre mortos e feridos
Uma estimativa das vítimas da Inquisição moderna*
Inquisição Espanhola
34 1021 – Condenados
31 912 – Queimados
17 659 – Queimados em efígie
Inquisição portuguesa
29 590 – Condenados
1 808 – Queimados
633 – Queimados em efígie
* Levantamentos feitos pelos historiadores Juan Antonio Llorente
(referentes à Espanha, entre 1481 e 1808) e Cecil Roth (estimativas
sobre Portugal). Não há dados sobre a Inquisição medieval
Terror mundo afora
Portugal e Espanha “exportaram” o Santo Ofício para suas colônias
Goa
O menor estado da Índia foi conquistado por Portugal no século 15 e se
transformou em rota importante do comércio de especiarias. Em pouco
tempo, também virou palco da mais sanguinária das inquisições
portuguesas, que perseguiu principalmente hindus convertidos ao
catolicismo. De 1536 até o fim do século 17, mais de 3 mil pessoas foram
julgadas em 37 autos.
Cartagena
O Tribunal da Inquisição foi criado ali em 1610 para complementar os
tribunais de Lima e do México na América espanhola. Nos 201 anos
seguintes, essa praia paradisíaca da Colômbia ficou conhecida pelos
autos-de-fé contra cristãos-novos, bígamos e feiticeiras. Hoje é
possível visitar o Palácio da Inquisição, local das mais de 500
execuções, e conhecer a câmara dos tormentos e o pavilhão das bruxarias.
Cabo Verde
Nem esse pequeno arquipélago situado a 600 quilômetros da costa africana
escapou do Santo Ofício, que atuou na esteira do comércio de escravos.
De 1536 a 1821, os visitadores denunciaram 233 por judaísmo, 38 por
blasfêmia, 104 por feitiçaria, oito por bigamia, 85 por sodomia e 40 por
desrespeito aos sacramentos. Detalhe: a população da época não superava
os 10 mil habitantes.
Saiba mais
Livro
A Inquisição, Anita Novinsky, Brasiliense, 2007
Breve, abrangente e didático, o livro é o ponto de partida ideal para quem deseja estudar o tema.
Site
http://ttonline.iantt.pt – Arquivo da Torre do Tombo, em Portugal.
Um verdadeiro baú de tesouros, com imagens e documentos do Santo Ofício.
FONTES: AVENTURAS NA HISTÓRIA
http://maniadehistoria.wordpress.com/morte-aos-hereges/
A dama de ferro
Um método bastante conhecido de tortura no período do tribunal da
inquisição , o individuo condenado era colocado dentro dessa câmara de
ferro cheia de
pregos e superfícies pontudas, que continha uma abertura para que se
pudesse interrogar a vítima, ou enfiar facas. Os pregos de dentro da
Dama não atingiam os pontos vitais, com o intuito de atrasar a morte do
torturado. Geralmente as regiões furadas eram os olhos, braços, pernas,
barriga, peito e nádegas.
A Serra
Neste
caso a pessoa era lentamente cerrada ao meio para que seu momento de
agonia e dor durasse por mais tempo ela era virada e amarrada de cabeça
para baixo pelo motivo de que o sangue descesse para o cérebro de modo
que a vítima não desmaiava ficando acordado enquanto sofria uma dor e
agonia insuportável .
Arranca Seios
Grande temor das mulheres da época , era usado em mulheres
que eram acusadas de adultério e de aborto , a ferramenta era
esquentada em uma fogueira e depois prendida nos seios da mulher acusada
e lentamente era arrancado os seus seios. Logo após o inquisidor
deixava a mulher sangrando até que a mesma morresse de hemorragia ,
muitas chegavam a loucura pela grande dor que sentia .
Corta Joelhos
Este
não chegou a ser na maioria das vezes mortal , mas causava grande dor
pois as garras eram colocadas nos joelhos que lentamente eram esmagados ,
em alguns casos o inquisidor esquentava as garras em uma fogueira para
aumentar a dor da vitima
Repreensão a homossexualidade
O combate a homossexualidade era feito também por
meio de tortura severas e dolorosas em alguns casos a vitima tinha seus
braços e pernas erguidos e a marrados , onde logo após era torturado ,
ferido com alicates de bico fino (em alguns casos também eram aquecidos )
e tinha seu couro arrancado deixando diversas partes do corpo apenas na
carne viva.
O berço de Judas
A imagem explica basicamente como funcionava a tortura sendo um pouco mais complexo e elaborado.
Onde
colocava-se o anus ou a vagina da vitima na ponta fina do objeto ,
parece simples mas , a vitima amarrada os braços e as pernas ficava
imóvel ,podendo assim o processo até que levasse ao óbito poderia ser
muito demorado chegando a levar dias até que o individuo morre-se de
dolorosas infecções.
Mesa de evisceração
A
vítima era deitada numa superfície com os pés e mãos muito bem presos e
logo acima dele existia uma manivela com espinhos. Um carrasco fazia
uma incisão na altura do estômago e com um gancho preso a uma corrente, e
através dele era retirado um pedaço do intestino, que era preso na
manivela. Aos poucos a manivela era girada, e o intestino era enrolado
nela.
Rack
A
vítima era colocada nessa mesa, e cordas eram amarradas nos seus
membros superiores e inferiores. Um algoz se punha a enrolar a corda
vagarosamente, até que as articulações se deslocassem, o que causava dor
imensa na vítima. Alguns algozes mais afoitos chegavam a arrancar
braços e pernas, matando por hemorragia. Mais tarde foram incorporadas
lanças para estocar a vítima enquanto ela ia sendo esticada.
Esmagador de Cabeças
A
cabeça da vitima era coloca numa barra de ferro, com o queixo apoiado
na barra - algumas tinham recipientes especiais para os globos oculares -
enquanto seu crânio era lentamente esmagado. O primeiro a quebrar era o
maxilar, e algumas dezenas de minutos depois, a morte, após dores
lancinantes. O cérebro às vezes escorria pelo nariz, ou pelas orelhas no
processo, podendo o método ser usado como tortura, caso o algoz escolha
ficar horas parado, apenas fazendo perguntas.
A fogueira
Um dos métodos mais utilizados nos condenados pelo
tribunal ,a pessoa era amarrado numa estaca e tinha seu corpo
completamente queimado . A vitima gritava de agonia e dor , muitos se
cagavam e se mijavam ( urinavam ) pela extrema dor que sentia.
FONTE: http://www.maisqtop.com/2011/06/objetos-de-tortura-do-tribunal-da.html










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