Cân. 684: "Os fiéis fugirão das associações secretas, condenadas,
sediciosas, suspeitas ou que procuram subtrair-se à legítima vigilância
da Igreja".
Cân. 2333: "Os que dão seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem ipso facto na excomunhão simpliciter reservada à Sé Apostólica".
Cân. 2336: "Os clérigos que cometeram o delito de que tratam os cânones 2334 e 2335 devem ser punidos, não somente com as penas estabelecidas nos cânones citados, mas também com a suspensão ou privação do mesmo benefício, ofício, dignidade, pensão ou encargo que possam ter na Igreja; os religiosos, pois com a privação do ofício e da voz ativa e passiva e com outras penas de acordo com suas constituições. Os clérigos e os religiosos que dão o nome à seita maçônica ou a outras associações semelhantes devem, além disso, ser denunciados à Sagrada Congregação do Santo Ofício".
Cân. 1399, nº 8, são ipso facto proibidos: "Os livros que, tratando das seitas maçônicas ou de outras associações análogas, pretendem provar que, longe de serem perniciosas, elas são úteis à Igreja e à sociedade civil". Ver ainda os cânones: 693; 1065; § 1 e § 2, 1240; 1241.
Cân. 2333: "Os que dão seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem ipso facto na excomunhão simpliciter reservada à Sé Apostólica".
Cân. 2336: "Os clérigos que cometeram o delito de que tratam os cânones 2334 e 2335 devem ser punidos, não somente com as penas estabelecidas nos cânones citados, mas também com a suspensão ou privação do mesmo benefício, ofício, dignidade, pensão ou encargo que possam ter na Igreja; os religiosos, pois com a privação do ofício e da voz ativa e passiva e com outras penas de acordo com suas constituições. Os clérigos e os religiosos que dão o nome à seita maçônica ou a outras associações semelhantes devem, além disso, ser denunciados à Sagrada Congregação do Santo Ofício".
Cân. 1399, nº 8, são ipso facto proibidos: "Os livros que, tratando das seitas maçônicas ou de outras associações análogas, pretendem provar que, longe de serem perniciosas, elas são úteis à Igreja e à sociedade civil". Ver ainda os cânones: 693; 1065; § 1 e § 2, 1240; 1241.
Papa Leão XIII
Sobre a Maçonaria
Carta encíclica do Papa Leão XIII
promulgada em 20 de Abril de 1884.
CARTA ENCÍCLICA
A
todos os Nossos Veneráveis Irmãos os Patriarcas, Primazes, Arcebispos e
Bispos do orbe católico, em graça e comunhão com a Sé Apostólica: sobre
a Maçonaria.
LEÃO XIII, PAPA.
Veneráveis Irmãos, Saudação e Benção Apostólica.
As duas cidades
1.
Desde quando, pela inveja do demônio, miseravelmente se separou de
Deus, a quem era devedor do seu chamado à existência e dos dons
sobrenaturais, o gênero humano dividiu-se em dois campos inimigos, que
não cessam de combater, um pela verdade e pela virtude, o outro por tudo
o que é contrário à virtude e à verdade. – O primeiro é o reino de Deus
na terra, a saber, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, cujos membros,
se lhe quiserem pertencer do fundo do coração e de maneira a operar a
sua salvação, devem necessariamente servir a Deus e a seu Filho único,
com toda sua alma, com toda a sua vontade O segundo é o reino de
Satanás. Sob o seu império e em seu poder se acham todos os que,
seguindo os funestos exemplos do seu chefe e de nossos primeiros pais,
recusam obedecer à lei divina e multiplicam seus esforços, aqui para
prescindir de Deus, ali para agir diretamente contra Deus. Esses dois
reinos, viu-os e descreveu-os Santo Agostinho com grande perspicácia sob
a forma de duas cidades opostas uma à outra quer pelas leis que as
regem, quer pelo ideal que colimam; e, com engenhoso laconismo, pôs em
relevo nas palavras seguintes o princípio constitutivo de cada uma
delas: Dois amores deram nascimento a duas cidades: a cidade terrestre
procede do amor de si até ao desprezo de Deus; a cidade celeste procede
do amor de Deus levado até ao desprezo de si (De Civit. Dei, lib. XIV,
c. 17).
A sociedade dos mações
2. Em toda a séria dos
séculos que nos precederam, essas duas cidades não têm cessado de lutar
uma contra a outra, empregando toda sorte de táticas e as armas mais
diversas, posto que nem sempre com o mesmo ardor, nem com a mesma
impetuosidade. Na nossa época, os fautores do mal parecem haver-se
coligado num imenso esforço, sob o impulso e com o auxílio de uma
Sociedade difundida em grande número de lugares e fortemente organizada,
a Sociedade dos mações. Estes, com efeito, já não se dão o trabalho de
dissimular as suas intenções, e rivalizam entre si em audácia contra a
augusta majestade de Deus. É publicamente, a céu aberto, que empreendem
arruinar a Santa Igreja, a fim de, se possível fosse, chegarem a
despojar completamente as nações cristãs dos benefícios de que são
devedoras ao Salvador Jesus Cristo. Gemente à vista desses males, e sob o
impulso da caridade, muitas vezes nos sentimos levados a clamar para
Deus: Senhor, eis que os vossos inimigos fazem grande bulha. Os que vos
odeiam levantaram a cabeça. Urdiram contra o vosso povo projetos cheios
de malícia, e resolveram perder os vossos santos. Sem, disseram eles,
vinde e expulsemo-los do seio das nações (Sl 82, 2-4).
3.
Entretanto, em tão urgente perigo, em presença de um ataque tão cruel e
tão obstinado desfechado contra o cristianismo, é dever Nosso assinalar o
perigo, denunciar os adversários, opor toda a resistência possível aos
seus projetos e à sua indústria, primeiro para impedir a perda eterna
das almas cuja salvação Nos foi confiada, e depois a fim de que o reino
de Jesus Cristo, que somo encarregados de defender, não somente fique de
pé e em toda a sua integridade, mas faça pela terra toda novos
progressos, novas conquistas.
Exortações dos Romanos Pontífices
4.
Em suas vigilantes solicitudes pela salvação do povo cristão, Nossos
predecessores bem depressa reconheceram esse inimigo capital no momento
em que, saindo das trevas de uma conspiração oculta, se lançava ao
assalto em pleno dia. Sabendo o que ele era, o que queria, e lendo por
assim dizer no futuro, eles deram aos príncipes e aos povos o sinal de
alarma, e os alertaram contra os embustes e os artifícios preparados par
a surpreendê-los. O perigo foi denunciado pela primeira vez por
Clemente XII (Const. In eminenti, 24 Abril 1738) em 1738, e a
constituição promulgada por esse Papa foi renovada e confirmada por
Bento XIV (Const. Providas, 18 Maio 1751). Pio VII (Const. Ecclesiam a
Jesu Christo, 13 Setembro 1821) seguiu as pegadas dos Pontífices, e Leão
XII, enfeixando na sua constituição apostólica Quo graviora (Const. De
13 Março 1825) todos os atos e decretos dos precedentes Papas sobre essa
matéria, retificou-os e confirmou-os para sempre. No mesmo sentido
falaram Pio VIII (Enc. Traditi, 21 Maio 1829), Gregório XVI (Enc.
Mirari, 15 Agosto 1832) e, repetidas vezes, Pio IX (Enc. Qui pluribus, 9
Novembro 1846. – Alloc. Multiplices inter, 25 Setembro 1865, etc.).
5.
O intuito fundamental e o espírito da seita maçônica tinha sido posto
em plena luz pela manifestação evidente dos seus modos de agir, pelo
conhecimento dos seus princípios, pela exposição das suas regras, dos
seus ritos e dos seus comentários, aos quais, mais de uma vez, se haviam
juntado os testemunhos dos seus próprios adeptos. Em presença desses
fatos, simplíssimo era que esta Sé Apostólica denunciasse, publicamente a
seita dos mações como uma associação criminosa, não menos perniciosa
aos interesses do cristianismo do que aos da sociedade civil. Decretou,
pois, contra ela as penas mais graves com que a Igreja costuma fulminar
os culpados, e proibiu filiar-se a ela.
Irritados com essa
medida, e esperando, já pelo desdém, já pela calúnia, poder escapar às
condenações ou lhes atenuar a força, os membros da seita acusaram os
Papas que as haviam lançado, ora de haverem proferido sentenças iníquas,
ora de haverem excedido a medida nas penas infligidas. Assim foi que se
esforçaram por burlar a autoridade ou diminuir o valor das
Constituições promulgadas por Clemente XII, Bento XIV, Pio VII e Pio IX.
Todavia, nas próprias fileiras da seita não faltaram associados para
confessar, mesmo a contragosto, que, dadas a doutrina e a disciplina
católicas, os Pontífices romanos nada haviam feito senão de mui
legítimo. A essa confissão cumpre juntar o assentimento explícito de
certo número de príncipes ou de chefes de Estado que tiveram a peito ou
denunciar a Sociedade dos mações à Sé Apostólica, ou fulminá-la por si
mesmos como perigosa, decretando leis contra ela, conforme foi praticado
na Holanda, na Áustria, na Suíça, na Espanha, na Baviera, na Sabóia e
em algumas partes da Itália.
A confirmação dos fatos
6.
Importa sumamente fazer notar o quanto os acontecimentos deram razão à
sabedoria dos Nossos predecessores. As suas solicitudes previdentes e
paternais nem em toda parte nem sempre tiveram o êxito desejado: o que
cumpre atribuir quer à dissimulação e à astúcia dos homens alistados
nessa seita perniciosa, quer à imprudente leviandade daqueles que, no
entanto, teriam tido o interesse mais direto em vigiá-la atentamente.
Daí resulta que, no espaço do século e meio, a seita dos mações fez
progressos incríveis. Empregando simultaneamente a audácia e a astúcia,
invadiu ela todas as categorias da hierarquia social, e começa a
assumir, no seio dos Estados modernos, um poder que equivale quase à
soberania. Dessa rápida e formidável extensão resultaram justamente para
a Igreja, para a autoridade dos príncipes, para a salvação pública, os
males que Nossos predecessores desde muito haviam previsto. Chegou-se ao
ponto de haver razão para conceber pelo futuro os receios mais sérios;
não, por certo, no que concerne à Igreja, cujos sólidos fundamentos não
podem ser abalados pelos esforços dos homens, mas com relação à
secularidade dos Estados, no seio dos quais se tornaram poderosíssimas
ou essa seita da Maçonaria ou outras associações similares que se fazem
suas cooperadoras e seus satélites.
7. Por todos estes motivos,
mal deitáramos a mão ao leme da Igreja, claramente sentimos a
necessidade de resistir a tamanho mal e de contra ele dirigir, tanto
quanto possível, a Nossa autoridade apostólica. – Por isto, aproveitando
todas as ocasiões favoráveis, havemos tratado as principais teses
doutrinais sobre as quais as opiniões perversas da seita maçônica
parecem ter exercido a maior influência. Foi assim que, na Nossa
encíclica Quod apostolici muneris, Nos esforçamos por combater os
monstruosos sistemas dos socialistas e dos comunistas. Nossa outra
encíclica Arcanum permitiu-Nos por em luz e defender a noção verdadeira e
autêntica da sociedade doméstica, de que o matrimônio é a origem e a
fonte. Na encíclica Diuturnum, fizemos conhecer, consoante os princípios
da sabedoria cristã, a essência do poder político, e mostramos as suas
admiráveis harmonias com a ordem natural, tanto quanto com a salvação
dos povos e dos príncipes. Hoje, a exemplo dos Nossos predecessores,
resolvemos fixar diretamente a nossa atenção sobre a sociedade maçônica,
sobre o conjunto da sua doutrina, sobre os seus projetos, sentimento e
atos tradicionais, a fim de por em evidência mais brilhante o seu poder
para o mal, e deter nos seus progressos o contágio desse flagelo
funesto.
Conspiração de diversas seitas
8. Existe no
mundo um certo número de seitas que, embora difiram umas das outras pelo
nome, pelos ritos, pela forma, pela origem, se assemelham e estão de
acordo entre si pela analogia da finalidade e dos princípios essenciais.
De fato, elas são idênticas à Maçonaria, que é para todas as outras
como que o ponto central de onde elas procedem e para o qual convergem.
E, se bem que no presente elas tenham a aparência de não gostarem de
ficar ocultas, se bem que façam reuniões em pleno dia e sob as vistas de
todos, se bem que publiquem seus jornais, todavia, se se for ao fundo
das coisas, pode-se ver que elas pertencem à família das Sociedades
clandestinas e que lhes conservam os usos. Com efeito, há nelas espécies
de mistérios que a sua constituição proíbe com o maior cuidado serem
divulgados não somente às pessoas de fora, porém mesmo a bom número de
seus adeptos. A esta categoria pertencem os Conselhos íntimos e
supremos, os nomes dos chefes principais, certas reuniões mais ocultas e
interiores, bem como as decisões tomadas, com os meios e os agentes de
execução. Para esta lei do segredo concorrem maravilhosamente: a
divisão, feita entre os associados, dos direitos, ofícios e cargos; a
distinção hierárquica, sabiamente organizada, das ordens e graus; e a
disciplina severa a que todos são sujeitos. Na maioria das vezes, os que
solicitam a iniciação devem promete, muito mais, devem fazer juramento
solene de nunca revelar a ninguém, em momento nenhum, de maneira alguma,
os nomes dos associados, as notas características e as doutrinas da
sociedade. É assim que, sob aparências mentirosas, e fazendo da
dissimulação uma constante regra de conduta, como outrora os maniqueus,
os mações não poupam esforço algum para se ocultarem e só aos seus
cúmplices terem por testemunhas. – Sendo o seu grande interesse não
parecerem o que são, eles fingem de amigos das letras ou de filósofos
reunidos para cultivar as ciências. Só falam do seu zelo pelos
progressos da civilização, do seu amor ao pobre povo. A lhes dar
crédito, o seu único intuito é melhorar a sorte da multidão e estender a
maior número de homens as vantagens da sociedade civil. Mas, suposto
fossem sinceras, estariam essas intenções longe de lhes esgotar todos os
desígnios. Com efeito, os que são filiados devem prometer obedecer
cegamente e sem discussão às injunções dos chefes; manter-se sempre
prontos, à menor notificação, ao mais leve sinal, para executar as
ordens dadas, votando-se de antemão, em caso contrário, aos tratamentos
mais rigorosos e mesmo à morte. De fato, não é raro que a pena do último
suplício seja infligida aos dente eles que são convencidos ou de
haverem entregue a disciplina secreta, ou de haverem resistido às ordens
dos chefes; e isso se pratica com tal destreza que, na maioria das
vezes, o executor dessas sentenças de morte escapa à justiça
estabelecida para velar sobre os crimes e vingá-los. – Ora, viver na
dissimulação e querer ser envolvido de trevas; acorrentar a si pelos
laços mais estreitos, e sem lhes haver feito previamente conhecer a que é
que se comprometem, homens assim reduzidos ao estado de escravos;
empregar em toda sorte de atentados esses instrumentos passivos de uma
vontade estranhas; armar para o morticínio mãos com cujo auxílio é
assegurada a impunidade do crime; aí estão práticas monstruosas
condenadas pela própria natureza. A razão e a verdade bastam, pois, para
provar que a Sociedade de que falamos está em oposição formal com a
justiça e a moral naturais.
9. Outras provas, de grande
clareza, juntam-se à precedentes e fazem ver ainda melhor o quanto, pela
sua constituição essencial, essa associação repugna à honestidade.
Efetivamente, por maiores que possam ser entre os homens a astuciosa
habilidade da dissimulação e o hábito da mentira, impossível é que uma
causa, seja qual for, não se deixe trair pelos efeitos que produz: Uma
árvore boa não pode dar maus frutos, e uma árvore má não pode dar bons
frutos (Mt 7, 18). Ora, os frutos produzidos pela seita maçônica são
perniciosos e dos mais amargos. Eis aqui, com efeito, o que resulta do
que precedentemente indicamos, e esta conclusão nos entrega a última
palavra dos desígnios dela. Trata-se, para os mações – e todos os seus
esforços tendem a este fim – trata-se de destruir completamente toda a
disciplina religiosa e social que nasceu das instituições cristãs, e de
substituí-la por uma nova, formada de acordo com as idéias deles, e
cujos princípios fundamentais e leis são tirados do naturalismo.
10.
Tudo o que acabamos de dizer ou que Nos propomos dizer deve se
entendido da seita maçônica encarada no seu conjunto, enquanto abrange
outras Sociedades que são para ela irmãs e aliadas. Não pretendemos
aplicar todas estas reflexões a cada um dos seus membros tomados
individualmente. Entre eles, com efeito, alguns podem-se achar, e mesmo
em bom número, que, embora não isentos de culpa por se haverem filiado a
semelhantes Sociedades, não coparticipam dos seus atos criminosos e
ignoram o escopo final que essas Sociedades forcejam por atingir. Do
mesmo modo ainda, pode suceder que alguns dos grupos não aprovem as
conclusões extremas a que a lógica deveria forçá-los a aderir, visto
decorrerem elas necessariamente dos princípios comuns a toda a
associação. Porém o mal traz consigo uma torpeza que, por si mesma,
repele e assusta. Além disto, se circunstâncias particulares de tempo ou
de lugares podem persuadir a certas frações ficarem aquém do que
desejariam fazer, ou do que fazem outras associações, nem por isso daí
se deve concluir que esses grupos sejam alheios ao pacto fundamental da
Maçonaria. Esse pacto pede ser apreciado, menos pelos atos praticados e
pelos seus resultados, do que pelo espírito que o anima e pelos seus
princípios gerais.
Os ensinamentos do Naturalismo
11.
Ora, o primeiro princípio dos naturalistas é que em todas as coisas a
natureza ou a razão humana deve ser senhora e soberana. Isto posto, se
se trata dos deveres para com Deus, ou eles fazem pouco caso deles, ou
lhes alteram a essência por opiniões vagas e sentimentos errôneos. Negam
que Deus seja o autor de qualquer revelação. Para eles, fora daquilo
que a razão humana pode compreender, não há nem dogma religioso, nem
verdade, nem mestre em cuja palavra, em nome do seu mandato oficial de
ensino, se deva ter fé. Ora, como a missão inteiramente própria e
especial da Igreja Católica consiste em receber na sua plenitude e em
guardar numa pureza incorruptível as doutrinas reveladas por Deus, tanto
como a autoridade estabelecida para ensiná-las com os outros socorros
dados pelo céu em mira a salvar os homens, é contra ela que os
adversários desenvolvem mais sanha e dirigem os seus ataques mais
violentos. – Agora, veja-se a seita dos mações em obra nas coisas que
dizem respeito à religião, principalmente onde quer que a sua ação pode
exercer-se com liberdade mais licenciosa: e diga-se se ela não parece
ter-se dado por mandato por em execução dos decretos dos naturalistas. –
Assim, ainda quando lhes custasse um longo e obstinado labor, propõe-se
ela reduzir a nada, no seio da sociedade civil, o magistério e a
autoridade da Igreja; donde esta conseqüência que os mações se aplicam a
vulgarizar e pela qual não cessam de combater, a saber: que é preciso
absolutamente separar a Igreja do Estado. Por conseqüência, eles excluem
das leis, tanto quanto da administração da coisa pública, a
salutaríssima influência da religião católica, e terminam logicamente na
pretensão de constituir o Estado inteiro fora das instituições e dos
preceitos da Igreja. – Não lhes basta, porém, excluir de toda
participação no governo dos negócios humanos a Igreja, esse guia tão
prudente e tão seguro: mister se faz ainda que a tratem como inimiga e
usem de violência contra ela. Daí a impunidade com que, pela palavra,
pela pena, pelo ensino, é permitido atacar os próprios fundamentos da
religião católica. Nem os direitos da Igreja, nem as prerrogativas com
que Providência a dotara, nada lhes escapa aos ataques. Reduz-se a quase
nada a liberdade de ação dela, e isso por leis que, em aparência, não
se afiguram demasiado opressivas, mas que, na realidade, são
expressamente feitas para agrilhoar essa liberdade. No número das leis
de exceção feitas contra o clero, assinalaremos particularmente as que
teriam como resultado diminuir notavelmente o número dos ministros do
santuário e reduzir sempre mais os seus meios indispensáveis de ação e
de existência. Os restos dos bens eclesiásticos sujeitos a mil servidões
são colocados sob a dependência e o beneplácito de administradores
civis. As comunidades religiosas são suprimidas ou dispersadas.
Perseguição da Sé Apostólica
12.
A respeito da Sé Apostólica e do Pontífice romano, a inimizade desses
sectários tem redobrado de intensidade. Depois de, sob falsos pretextos,
haverem esbulhado o Papa da sua soberania temporal, garantia necessária
da sua liberdade e dos seus direitos, reduziram-no a uma situação
simultaneamente iníqua e intolerável, até haverem enfim, nestes últimos
tempos, os fautores dessas seitas chegado ao ponto que desde muito tempo
era o escopo dos seus secretos desígnios, a saber: proclamar chegado o
momento de suprimir o poder sagrado dos Pontífices romanos e de destruir
inteiramente esse Papado que é de instituição divina. Para por fora de
dúvida a existência de um tal plano, à míngua de outras provas bastaria
invocar o testemunho de homens que pertenceram à seita, e cuja maioria,
quer no passado, quer em época mais recente, têm atestado como certa a
vontade em que estão os mações de perseguirem o catolicismo com
inimizade exclusiva e implacável, com a firme resolução de só pararem
depois de haverem arruinado completamente todas as instituições
religiosas estabelecidas pelos Papas. – Se nem todos os membros da seita
são obrigados a abjurar explicitamente o catolicismo, esta exceção,
longe de prejudicar o plano geral da Maçonaria, serve-lhe antes aos
interesses. Permite-lhe primeiro enganar mais facilmente as pessoas
simples e sem desconfiança, e torna acessível a um maior número a
admissão na seita. Ademais, abrindo suas fileiras a adeptos que a elas
vêm de religiões as mais diversas, eles se tornam mais capazes de
acreditar o grande erro do tempo presente, que consiste em relegar para a
categoria das coisas indiferentes o cuidado da religião, e em colocar
em pé de igualdade todas as formas religiosas. Ora, por si só, esse
princípio basta para arruinar todas as religiões, e particularmente a
religião católica, porquanto, sendo a única verdadeira, não pode ela,
sem sofrer a última das injúrias e das injustiças, tolerar lhe sejam
igualadas as outras religiões.
Negação dos princípios fundamentais
13.
Vão ainda mais longe os naturalistas. Audaciosamente embrenhados na
trilha do erro sobre as questões mais importantes, são arrastados e como
que precipitados pela lógica até conseqüências mais extremas dos seus
princípios, seja por causa da fraqueza da natureza humana, seja pelo
justo castigo com que Deus lhes fere o orgulho. Daí, se não mais
guardarem eles na sua integridade e na sua certeza nem mesmo as verdades
acessíveis à simples luz da razão natural, tais como são seguramente a
existência de Deus, a espiritualidade e a imortalidade da alma.
Enveredando por essa nova trilha de erro, a seita dos mações não tem
escapado a esses escolhos. Com efeito, embora, tomada em seu conjunto, a
seita faça profissão de crer na existência de Deus, o testemunho dos
seus próprios membros estabelece que essa crença não é, para cada um
deles individualmente, objeto de assentimento firme e de certeza
inabalável. Eles não dissimulam que a questão de Deus é entre eles causa
de grande dissentimentos. Está mesmo provado que há pouco tempo se
travou entre eles séria controvérsia a este respeito. De fato, a seita
deixa aos iniciados liberdade inteira de pronunciar-se em tal ou tal
sentido, quer para afirmar a existência de Deus, quer para negá-la e os
que negam resolutamente esse dogma são tão bem recebidos à iniciação
como os que, de certo modo, o admitem ainda, mas desnaturando-o, com os
panteístas, cujo erro consiste justamente em, embora retendo do ser
divino não se sabe que absurdas aparências, fazer desaparecer aquilo que
há de essencial na verdade da sua existência. Ora, quando esse
fundamento necessário é destruído ou sequer abalado, por si mesmo
resulta vacilarem na razão humana os outros princípios da ordem natural,
e não saber ela mais a que se ater, nem sobre a criação do mundo por um
ato livre e soberano do Criador, nem sobre o governo da Providência,
nem sobre a sobrevivência da alma e a realidade de uma vida futura e
imortal que sucede à vida presente.
Corrupção dos costumes
14.
O desmoronamento das verdades que são a base da ordem natural e que
tanto importam à conduta racional e prática da vida, terá repercussão
sobre os costumes privados e públicos. - Passemos em silêncio essas
virtudes sobrenaturais que, a não ser por um dom especial de Deus,
ninguém pode nem praticar nem adquirir; essas virtudes de que é
impossível achar qualquer vestígio nos que fazem profissão de ignorar
desdenhosamente a redenção do gênero humano, a graça, os sacramentos, a
felicidade futura a conquistar no céu. - Falamos simplesmente dos
deveres que resultam dos princípios da honestidade natural. Um Deus que
criou o mundo e o governa pela sua Providência; uma lei eterna cujas
prescrições ordenam respeitar a ordem da natureza e proíbem perturbá-la;
um fim último colocado para a alma numa região superior às coisas
humanas e para além desta hospedaria terrestre; eis as fontes, eis os
princípios de toda justiça e honestidade. Fazei-os desaparecer (e é esta
a pretensão dos naturalistas e dos mações), e impossível será saber em
que é que consiste a ciência do justo e do injusto, ou em que é que ela
se apoia. Quanto à moral, a única coisa que achou indulgência perante os
membros da seita maçônica, e na qual eles querem que a juventude seja
instruída com cuidado, é aquela a que eles chamam "moral cívica - moral
independente - moral livre" - noutros termos, moral que não dá lugar
algum às idéias religiosas. Ora, o quanto uma tal moral é insuficiente,
até que ponto carece de solidez e verga ao sopro das paixões, pode-se
vê-lo bastante pelos tristes resultados que ela já tem dado. Com efeito,
onde quer que, depois de tomar o lugar da moral cristã, ela começou a
reinar com mais liberdade, viu-se prontamente deperecerem a probidade e a
integridade dos costumes, crescerem e se fortificarem as opiniões mais
monstruosas, e a audácia dos crimes transbordar por toda parte. Esses
males provocam hoje em dia queixas e lamentações universais, às quais
fazem eco às vezes bom número daqueles mesmos que, muito a contragosto,
são forçados a prestar homenagem à evidência da verdade.
15.
Além disso, tendo sido a natureza humana viciada pelo pecado original e
havendo-se, por causa disso, tornado muito mais disposta ao vício do que
à virtude, a honestidade é absolutamente impossível se os movimentos
desordenados da alma não forem reprimidos e se os apetites não
obedecerem à razão. Nesse conflito, muitas vezes é forçoso desprezar os
interesses terrenos e resolver-se aos trabalhos mais duros e ao
sofrimento, para que a razão vitoriosa fique de posse do seu principado.
Mas, não emprestando nenhuma fé à revelação que recebemos de Deus, os
naturalistas e os mações negam que o pai do gênero humano tenha pecado
e, por conseguinte, que as forças do livre arbítrio estejam de algum
modo "debilitadas ou inclinadas para o mal" (Conc. Trid. Sess. VI, De
Justif., c. I). Muito pelo contrário, exageram o poder e a excelência da
natureza e, colocando unicamente nela o princípio e a regra da justiça,
não podem sequer conceber a necessidade de fazer constantes esforços e
de desenvolver uma grandíssima coragem para comprimir as revoltas da
natureza e impor silêncio aos seus apetites. Por isso, vemos multiplicar
e pôr ao alcance de todos os homens tudo o que lhes pode lisonjear as
paixões. Jornais e brochuras de onde a reserva e o pudor são banidos;
representações teatrais cuja licença excede os limites; obras artísticas
em que se ostentam, com um cinismo revoltante, os princípios disso a
que hoje em dia se chama de realismo; invenções engenhosas destinadas a
aumentar as delicadezas e os gozos da vida; numa palavra, tudo é posto
em obra para satisfazer o amor do prazer, com o qual acaba se ponde de
acordo a virtude adormecida. Seguramente, são culpados, mas ao mesmo
tempo são conseqüentes consigo mesmos, aqueles que, suprimindo a
esperança dos bens futuros, rebaixam a felicidade ao nível das coisas
perecíveis, a mais baixo mesmo do que os horizontes terrenos. Em abono
dessas asserções, fácil seria aduzir fatos certos, posto que incríveis
em aparência. De feito, não obedecendo ninguém com tanto servilismo a
esses hábeis e astutos personagens como aqueles cuja coragem se enervou e
quebrou na escravidão das paixões, têm-se achado na Maçonaria sectários
para sustentarem que era preciso sistematicamente empregar todos os
meios de saturar a multidão de licenças e vícios, bem certos de que com
essas condições ela estaria toda nas mãos deles e poderia servir de
instrumento ao cumprimento dos seus projetos mais audaciosos.
Conseqüências na vida doméstica
16.
Relativamente à sociedade doméstica, eis aqui a que se resume o ensino
dos naturalistas. O matrimônio é uma mera variedade da espécie de
contratos; pode, pois, ser legitimamente dissolvido à vontade dos
contratantes. Os chefes do governo têm poder sobre o vínculo conjugal.
Na educação dos filhos, não há nada a lhes ensinar metodicamente nem a
lhes prescrever em matéria de religião. A cada um deles compete, quando
estiver em idade, escolher a religião que lhes aprouver. – Ora, não
somente os mações aderem inteiramente a estes princípios, mas se aplicam
a fazê-los passar aos costumes e às instituições. Já, em muitos países,
mesmo católicos, está estabelecido que, fora do casamento civil, não há
união legítima. Noutros lugares, a lei autoriza o divórcio, que outros
povos se aprestam a introduzir na sua legislação o mais depressa
possível. Todas essas medidas apressam a realização próxima do projeto
de alterar a essência do matrimônio e de reduzi-lo a não passar de uma
união instável, efêmera, nascida do capricho de um instante, e podendo
ser dissolvida quando esse capricho mudar. A seita concentra também
todas as suas energias e todos os seus esforços em se apoderar da
educação da juventude. Os mações esperam poder facilmente formar de
acordo com suas idéias essa idade tão tenra, e dobrar-lhe a
flexibilidade no sentido que eles quiserem, nada devendo ser mais eficaz
do que isso para preparar à sociedade civil uma raça de cidadãos tal
como eles sonha dar-lhe. É por isso que, na educação e na instrução das
crianças, não querem eles tolerar os ministros da Igreja, nem como
censores, nem como professores. Já em vários países eles conseguiram
fazer confiar exclusivamente a leigos a educação da juventude, como
também proscrever totalmente do ensino da moral os grandes e santos
deverem que unem o homem a Deus.
Conseqüências políticas
17.
Vêm em seguida os dogmas da ciência política. Eis aqui quais são nesta
matéria as teses dos naturalistas: os homens são iguais em direitos,
todos, e sob todos os pontos de vista são de igual condições. Sendo
todos livres por natureza, nenhum deles tem o direito de mandar a um de
seus semelhantes, e é fazer violência aos homens pretender submetê-los a
uma autoridade qualquer, a menos que essa autoridade proceda deles
mesmos. Todo poder está no povo livre; os que exercem o mando só são
detentores pelo mandato ou pela concessão do povo, de tal sorte que, se a
vontade popular mandar, há que destituir da sua autoridade os chefes do
Estado, mesmo contra a vontade deles. A fonte de todos os direitos e de
todas as funções civis reside quer na multidão, quer no poder que rege o
Estado, mas quando este foi constituído de acordo com os novos
princípios. Além disto, deve o Estado ser ateu. De feito, ele não acha
nas diversas formas religiosas razão alguma para preferir uma à outra;
portanto, todas devem ser postas em pé de igualdade.
18. Ora,
que essas doutrinas sejam professadas pelos mações, que tal seja para
eles o ideal segundo o qual entendem constituir as sociedades, isto é
quase sobejamente evidente para precisar ser provado. Já há muito tempo
que eles trabalham abertamente para realizá-lo, empregando nisso todas
as suas forças e todos os seus recursos. Abrem assim o caminho a outros
sectários numerosos e mais audaciosos, que se mantêm prontos a tirar
desses falsos princípios conclusões ainda mais detestáveis, a saber, a
repartição igual e a comunidade dos bens entre todos os cidadãos, depois
que toda distinção de categoria e de fortuna tiver sido abolida.
Resumo dos erros
19.
Os fatos que acabamos de resumir põem em luz suficiente a constituição
íntima dos mações e mostram claramente por que estrada eles se
encaminham para a sua meta. Os seus dogmas principais estão em desacordo
tão completo e tão manifesto com a razão, que nada se pode imaginar
mais perverso. Realmente, querer destruir a religião e a Igreja
estabelecidas pelo próprio Deus e por ele asseguradas de uma perpétua
proteção, para restabelecer entre nós, após dezoito séculos, os costumes
e as instituições dos pagãos, não é o cúmulo da loucura e da mais
audaciosa impiedade? Mas o que não é nem menos horrível nem mais
suportável é ver repudiar os benefícios misericordiosamente adquiridos
por Jesus Cristo, primeiro para os indivíduos e depois para os homens
agrupados em famílias e em nações: benefícios que, no testemunho dos
próprios inimigos do cristianismo, são do mais alto preço. De certo, em
plano tão insensato e tão criminoso bem lícito é reconhecer o ódio
implacável de que Satanás está animado para com Jesus Cristo, e a sua
paixão de vingança. O outro intento para cuja realização os mações
empregam todos os seus esforços consiste em destruir os fundamentos
principais da justiça e da honestidade. Com isso, fazem-se eles
auxiliares daqueles que quereriam que, a exemplo do animal, não tivesse o
homem outra regra de ações a não serem os seus desejos. Este intento
não tende a nada menos do que a desonrar o gênero humano e a
precipitá-lo ignominiosamente na sua perdição.
20. O mal
aumenta com todos os perigos que ameaçam a sociedade doméstica e a
sociedade civil. Conforme expusemos alhures, todos os povos, todos os
séculos concordam em reconhecer no matrimônio algo de sagrado e de
religioso, e a lei divina tem provido a que as uniões conjugais não
possam ser dissolvidas. Mas, se elas se tornarem puramente profanas, se
lícito for rompê-las ao gosto dos contraentes, logo a constituição da
família será presa da perturbação e da confusão; as mulheres serão
descoroadas da sua dignidade; toda a proteção e toda segurança
desaparecerão para os filhos e para os seus interesses.
21.Quanto
à pretensão de fazer o Estado completamente alheio à religião e podendo
administrar os negócios públicos sem levar em conta a Deus mais do que
se ele não existisse, é uma temeridade sem exemplo, mesmo entre os
pagãos. Estes traziam tão profundamente gravada no mais íntimo de suas
almas não somente uma idéia vaga dos deuses, mas a necessidade social da
religião, que, no senso deles, mais fácil seria a uma cidade manter-se
de pé sem estar apoiada no solo do que privada de Deus. De fato, a
sociedade do gênero humano, para a qual a natureza nos criou, foi
constituída por Deus, autor da natureza. Dele, como princípio e como
fonte, promanam na sua força e na sua perenidade os benefícios inúmeros
com que ela nos enriquece. Por isto, assim como a voz da natureza lembra
a cada homem particular a obrigação em que está de oferecer a Deus o
culto de uma piedosa gratidão porque a Ele é que somos devedores da vida
e dos bens que a acompanham, dever semelhante se impõe aos povos e às
sociedade. – Daí resulta com a última evidência que os que querem
quebrar toda relação entre a sociedade civil e os deveres da religião
não cometem só uma injustiça, mas, pelo seu procedimento, provam a sua
ignorância e inépcia. Efetivamente, é pela vontade de Deus que os homens
nascem para ser reunidos e para viver em sociedade; a autoridade é o
vínculo necessário à manutenção da sociedade civil, de tal sorte que,
quebrado esse vínculo, ela se dissolve fatal e imediatamente. A
autoridade tem, pois, por autor o mesmo ser que criou a sociedade. Por
isto, seja qual for aquele em cujas mãos o poder reside, ele é o
ministro de Deus. Por conseguinte, na medida em que o exigem o fim e a
natureza da sociedade humana, cumpre obedecer ao poder legítimo que
manda coisas justas, como à própria autoridade de Deus que governa tudo;
e nada é mais contrário à verdade do que sustentar que da vontade do
povo depende recusar essa obediência quando lhes aprouver.
22.
Do mesmo modo, se considerarmos que todos os homens são da mesma raça e
da mesma natureza e que devem todos atingir o mesmo fim último, e se
olharmos aos deveres e aos direitos que decorrem dessa comunidade de
origem e de destino, não é duvidoso que eles sejam iguais. Mas, como nem
todos eles têm os mesmos recursos de inteligência, e como diferem uns
dos outros, seja pelas faculdades do espírito, seja pelas energias
físicas: como, enfim, existem entre eles mil distinções de costumes, de
gostos, de caracteres, nada repugna tanto à razão como pretender
reduzi-los todos à mesma medida e introduzir nas instituições da vida
civil uma igualdade rigorosa e matemática. Com efeito, do mesmo modo que
a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e do conjunto
dos membros, que não têm nem as mesmas forças nem as mesmas funções, mas
cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a
sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os
serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se
uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem
todas iguais entre si e livres cada uma por sua conta de agir a seu
talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário,
se, por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões,
cada uma delas concorre para o bem geral, vedes erguer-vos diante de
vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme à natureza.
Perigos para os Estados
23.
Os maléficos erros que acabamos de relembrar ameaçam os Estados com os
perigos mais temíveis. De feito, suprimi o temor de Deus o respeito
devido às suas leis; deixai cair em descrédito a autoridade dos
príncipes; daí livre curso e incentivo à mania das revoluções; largai a
brida às paixões populares, quebrai todo freio, salvo o dos castigos, e
pela força das coisas ireis ter a uma subversão universal e à ruína de
todas as instituições: tal é, em verdade, o escopo provado, explícito,
que demandam com seus esforços muitas associações comunistas e
socialistas; e a seita dos mações não tem o direito de se dizer alheia
aos atentados delas, de vez que lhes favorece os desígnios e, no terreno
dos princípios, está inteiramente de acordo com elas. Se esses
princípios não produzem imediatamente e em toda parte as suas
conseqüências extremas, não é nem à disciplina da sita nem à vontade dos
sectários que cumpre atribuí-lo; mas primeiramente à virtude dessa
religião divina que não pode ser aniquilada, e depois também à ação dos
homens que, formando a parte mais sã das nações, recusam suportar o jugo
das sociedades secretas, e lutam com coragem contra as insensatas
empresas delas.
24. E oxalá que todos, julgando a árvore pelos
seus frutos, soubessem reconhecer o germe e o princípio dos males que
nos acabrunham, dos perigos que nos ameaçam! Lidamos com um inimigo
astuto e fecundo em artifícios. Ele prima em fazer cócegas
agradavelmente nos ouvidos dos príncipes e dos povos; tem sabido prender
uns e outros pela doçura de suas máximas e pelo engodo das suas
lisonjas. – Os príncipes? Têm –se os mações insinuado no favor deles sob
a máscara da amizade, para fazerem deles uns aliados e uns poderosos
auxiliadores, com a ajuda dos quais oprimissem mais seguramente os
católicos. A fim de aguilhoar mais vivamente o zelo desses altos
personagens, eles perseguem a Igreja com calúnias impudentes. É assim
que a acusam de invejar o poder dos soberanos e de lhes contestar os
direitos. Seguros, por essa política, da impunidade da sua audácia, eles
começaram a gozar de um grande crédito sobre os governantes. Aliás,
mantêm-se sempre prontos a abalar os fundamentos dos impérios, a
perseguir, a denunciar e mesmo a expulsar os príncipes, todas as vezes
que estes parecem usar do poder diversamente do que exige a seita. – Os
povos? Eles zombam deles adulando-os por processos semelhantes. Têm
sempre na boca os temos "liberdade" e "prosperidade pública". A crê-los,
foi a Igreja, foram os soberanos que sempre fizeram obstáculo a que as
massas fossem arrancadas a uma servidão injusta, e libertadas da
miséria. Têm seduzido o povo por essa linguagem falaz, e, excitando nele
a sede das mudanças, têm-no lançado ao assalto dos dois poderes,
eclesiástico e civil. Todavia, a realidade das vantagens esperadas fica
sempre abaixo da imaginação e dos seus desejos. Bem longe de se haver
tornado mais feliz, o povo, esmagado por uma opressão e uma miséria
crescentes, vê-se ainda destituído das consolações que com tanta
facilidade e abundância poderia achar nas crenças e práticas da religião
cristã. Quando os homens atacam a ordem providencialmente estabelecida,
por uma justa punição do seu orgulho acham, muitas vezes, a aflição e a
ruína em lugar da fortuna próspera com que temerariamente haviam
contado para a satisfação de todos os seus desejos.
Igreja e Estado
25.
Quanto à Igreja, se acima de tudo ela ordena aos homens obedecerem a
Deus, soberano Senhor do universo, far-se-ia contra ela um juízo
calunioso se se acreditasse ser ela invejosa do poder civil ou cogitar
de se arrogar os direitos dos príncipes. Longe disto. Ela coloca sob a
sanção do dever e da consciência a obrigação de dar ao poder civil
aquilo que lhe é legitimamente devido. Se ela faz emanar do próprio Deus
o direito de mandar, daí resulta para a autoridade um acréscimo
considerável de dignidade e uma facilidade maior de confiar a si a
obediência, o respeito e a boa vontade dos cidadãos. Aliás, sempre amiga
da paz, é ela quem entretém a concórdia, abraçando todos os homens na
ternura da sua caridade materna. Unicamente atenta a promover o bem dos
mortais, não se cansa de lembrar que se deve sempre temperar a justiça
pela clemência, o mando pela equidade, as leis pela moderação; que o
direito de cada um é inviolável; que é um dever trabalhar para a
manutenção da ordem e da tranqüilidade geral, e em toda a medida do
possível, pela caridade privada e pública, vir em auxílio dos
sofrimentos dos infelizes. Mas, para empregar muito a propósito as
palavras de Santo Agostinho, eles crêem ou procuram fazer crer que a
doutrina cristã é incompatível com o bem do Estado, porque querem fundar
o Estado não na solidez das virtudes, mas na impunidade dos vícios
(Epist. 137 ad Volusianum, c. V, n. 20). Se tudo isso fosse mais bem
conhecido, príncipes e povos dariam prova de sabedoria política e
agiriam conformemente às exigências da salvação geral, unindo-se à
Igreja para resistir aos ataques dos mações, ao invés de se unirem aos
mações para combater a Igreja.
Em busca de remédios
26.
Suceda o que suceder, o Nosso dever é aplicar-Nos a achar remédios
proporcionados a um mal tão intenso e cujas devastações são apenas
sobejamente extensas. Bem o sabemos: a nossa melhor e mais sólida
esperança de cura está na virtude dessa religião divina que os mações
odeiam tanto mais quanto mais a temem. Sumamente importa, pois, fazer
ela o ponto central da resistência contra o inimigo comum. Por isso,
todos os decretos emitidos pelos Pontífices romanos, Nossos
predecessores, em mira a paralisar os esforços e as tentativas da seita
maçônica; todas as sentenças por eles pronunciadas para desviar os
homens de filiar-se a essa seita ou para determiná-los a sair dela,
entendemos ratificá-los de novo, tanto em geral como em particular.
Cheio de confiança a esse respeito, na boa vontade dos cristãos, em nome
da sal salvação eterna lhes suplicamos e pedimos terem para si como uma
obrigação sagrada de consciência nunca se afastarem, nem sequer de uma
linha, das prescrições promulgadas a esse respeito pela Sé Apostólica.
27.
Quanto a Vós, Veneráveis Irmãos, rogamo-Vos, conjuramo-Vos a unirdes
Vossos esforços aos Nossos, e empregardes todos o Vosso zelo em fazer
desaparecer o contágio impuro do veneno que circula nas veias da
sociedade e a infeta toda. Trata-se para Vós de promover a glória de
Deus e a salvação do próximo. Combatendo por tão grande causas, nem a
coragem nem a força Vos hão de falhar.
Arrancar as máscaras
28.
Pertence-Vos determinar, na Vossa sabedoria, por que meios mais
eficazes podereis triunfar das dificuldades e obstáculos que se
levantarem contra Vós. – Porém, já que a autoridade inerente ao Nosso
múnus Nos impõe o dever de Vos traçar por Nós mesmo a linha de conduta
que consideramos a melhor, dir-Vos-emos: Em primeiro lugar, arrancai à
Maçonaria a máscara com que ela se cobre, e fazei-a ver tal qual é. Em
segundo lugar, por Vossos discursos e por Cartas pastorais especialmente
consagradas a esta questão, instruí Vossos povos; fazei-lhes conhecer
os artifícios empregados por essas seitas para seduzir os homens e
atraí-los às suas fileiras, mostra-lhes a perversidade das suas
doutrinas e a infâmia dos seus atos. Lembrai-lhes que, em virtude das
sentenças várias vezes proferidas pelos Nossos predecessores, nenhum
católico, se quiser permanecer digno do seu nome e ter da sua salvação o
cuidado que ela merece, sob qualquer pretexto, pode filiar-se à seita
dos mações. Que ninguém, pois, se deixe enganar por falsas aparências de
honestidade. Algumas pessoas, com efeito, podem crer que, nos projetos
dos mações, não há nada formalmente contrário à santidade da religião e
dos costumes. Todavia, sendo condenado pela moral o princípio
fundamental que é como que a alma da seita, não pode ser permitido
aliar-se a ela, nem auxiliá-la de qualquer modo.
Instrução religiosa
29.
Em seguida, com o auxílio de instruções e exortações freqüentes,
importa fazer com que as massas adquiram conhecimento da religião. Neste
intuito, aconselhamos muito expordes, seja por escrito, seja de viva
voz e em discursos ad hoc, os elementos dos princípios sagrados que
constituem a filosofia cristão. Esta última recomendação tem sobretudo
por fim curar, por uma ciência de bom quilate, as doenças intelectuais
dos homens, e premuni-los conjuntamente contra as formas múltiplas do
erro e contra as numerosas seduções do vício, mormente num tempo em que a
licença dos escritos corre parelhas com uma insaciável avidez de
aprender. Para realizá-lo, tereis antes de tudo o auxílio e a
colaboração do Vosso clero, se derdes todos os Vossos desvelos a bem
formá-lo e a mantê-lo na perfeição da disciplina eclesiástica e na
ciência das sagradas letras.
Todavia, uma causa tão bela e de
tão alta importância chama ainda em seu socorro a dedicação inteligente
dos leigos que unem os bons costumes e a instrução ao amor da religião e
da pátria. Ponde em comum, Veneráveis Irmãos, as forças dessas duas
ordens, e daí todos os Vossos desvelos a que os homens conheçam a funda a
Igreja Católica e a amem de todo seu coração. Porque, quanto mais esse
conhecimento e esse amor cresceram nas almas, tanto mais aversão se
conceberá pelas Sociedades secretas, tanto mais solicitude se terá por
fugir delas.
A Ordem Terceira de S. Francisco
30.
Propositadamente aproveitamos o novo ensejo que nos é oferecido para
insistir sobre a recomendação por Nós já feita em favor da Ordem
Terceira de S. Francisco, a cuja disciplina aduzimos prudentes
temperamentos. Cumpre por um grande zelo em propagá-la e firmá-la. De
feito, tal como foi estabelecida pelo seu autor, ela consiste toda
nisto: atrair os homens ao amor de Jesus Cristo, ao amor da Igreja, à
prática das virtudes cristãs. Pode ela, pois, prestar grandes serviços
em ajudar a vencer o contágio dessas seitas detestáveis. Faça, pois,
essa santa Associação todos os dias novos progressos. Entre as numerosas
vantagens que se podem esperar dela, uma há que prima sobre todas as
outras: essa Associação é uma verdadeira escola de Liberdade, de
Fraternidade, de Igualdade, não segundo a maneira absurda como os mações
entendem estas coisas, porém tais como com elas Jesus Cristo quis
enriquecer o gênero humano, e como S. Francisco pôs em prática. Falamos,
pois, aqui da liberdade dos filhos de Deus, em nome da qual recusamos
obedecer a senhores iníquos que se chamam Satanás e as más paixões.
Falamos da fraternidade que Nos prende a Deus como ao Criador e Pai de
todos os homens. Falamos da igualdade que, estabelecida sobre os
fundamentos da justiça e da caridade, não sonha com suprimir toda a
distinção entre os homens, mas excele em fazer da variedade das
condições e dos deveres da vida uma harmonia admirável e uma espécie de
concerto maravilhoso com que naturalmente aproveitam os interesses e a
dignidade da vida civil.
Grêmios e Confrarias
31. Em
terceiro lugar, uma instituição devida à sabedoria de nossos pais e
momentaneamente interrompida pelo curso dos tempos poderia, na época em
que estamos, tornar a ser o tipo e a forma de criações análogas.
Queremos falar daquelas corporações operárias destinadas a proteger, sob
a tutela da religião, os interesses do trabalho e os costumes dos
trabalhadores. Se a pedra de toque de uma longa experiência tinha feito
os nossos antepassados apreciarem a utilidade dessas associações, talvez
a nossa idade tirasse delas maiores frutos, tantos recursos preciosos
elas oferecem para combater com êxito e para esmagar o poder das seitas.
Aqueles que só escapam à miséria à custa do labor de suas mãos, ao
mesmo tempo que, pela sua condição, são sumamente dignos da caridosa
assistência dos seus semelhantes, são também os mais expostos a ser
enganados pelas seduções e astúcias dos corifeus da mentira. Mister se
faz, pois, ajudá-los com grande habilidade, e abrir-lhes as fileiras de
associações honestas, para impedi-los de ser alistados nas más. Em
conseqüência, e para a salvação do povo, ardentemente desejamos ver se
restabelecerem, sob os auspícios e patrocínio dos bispos, essas
corporações apropriadas às necessidades do tempo presente. Não é para
Nós medíocre alegria o já termos visto constituírem-se em vários lugares
associações desse gênero, bem como Sociedades patronais, sendo o fim de
umas e de outras auxiliar a honesta classe dos proletários,
assegurar-lhes às famílias e aos filhos o benefício de um patrocínio
tutelar, fornecer-lhes os meios de conservar, com bons costumes, o
conhecimento da religião e o amor da piedade.
Conferências de S. Vicente de Paulo
32.
Não poderíamos aqui passar em silêncio uma Sociedade que tem dado
tantos exemplos admiráveis e que tanto tem merecido das classes
populares: queremos falar daquela que tomou o nome de seu pai, S.
Vicente de Paulo. Conhecem-se bastante as obras realizadas por essa
Sociedade e o fim que ela se propõe. Os esforços dos seus membros tendem
unicamente a aplicar-se, por uma caridosa iniciativa, ao socorro dos
pobres e dos infelizes, o que eles fazem com maravilhosa sagacidade e
não menos admirável modéstia. Porém, quanto mais essa Sociedade oculta o
bem que opera, tanto mais apta está a praticar a caridade cristã e a
aliviar as misérias dos homens.
Cuidado com a juventude
33.
Em quarto lugar, a fim de mais facilmente alcançarmos a meta dos nossos
desejos, recomendamos com nova insistência à Vossa fé e à Vossa
vigilância a juventude, que é a esperança da sociedade. – Aplicai à
formação dela a maior parte das vossas solicitudes pastorais. Quaisquer
que já possam ter sido a este respeito o Vosso zelo e a Vossa
previdência, crede que nunca fareis o bastante para subtrair a juventude
às escolas e aos mestres junto aos quais estaria ela exposta a respirar
o sopro peçonhento das seitas. Por entre as prescrições da doutrina
cristã, há uma sobre a qual deverão insistir os pais, os pios
educadores, os curas, sob o impulso de seus bispos. Queremos falar da
necessidade de lhes premunir os filhos ou os alunos contra essas
Sociedades criminosas, ensinando-os cedo a desconfiar dos artifícios
pérfidos e variados com o auxílio dos quais seus prosélitos procuram
enlaçar os homens. Os que têm encargo de preparar os jovens para receber
os sacramentos como convém, agiriam sabiamente se induzissem cada um
deles a tomar a firme resolução de não se agregar a nenhuma Sociedade
sem ciência dos pais, ou sem haverem consultado antes seu cura ou seu
confessor.
Recurso à oração
34. De resto, sabemos
muito bem que nossos comuns labores para arrancar do campo do Senhor
essas sementes perniciosas seriam totalmente impotentes se, do alto do
céu, o Senhor da vinha não secundasse os nossos esforços. Necessário é,
pois, lhe implorarmos a assistência e o socorro com grande ardor e por
solicitações reiteradas, proporcionadas à necessidade das circunstâncias
e à intensidade do perigo. Ufana dos seus sucessos precedentes, a seita
dos mações levanta insolentemente a cabeça, e sua audácia parece já não
conhecer limites. Ligados uns aos outros pelo vínculo de uma federação
criminosa e dos seus projetos ocultos, prestam-se esses adeptos mútuo
apoio e se provocam entre si a ousar e a fazer o mal. A um ataque tão
violento deve responder uma defesa enérgica. Unam-se, pois, também as
pessoas de bem, e formem uma imensa coligação de oração e de esforços.
Em conseqüência, pedimos-lhes fazerem entre si, pela concórdia dos
espíritos e dos corações, uma coesão que as torne invencíveis contra os
assaltos dos sectários. Além disso, estendam elas para Deus mãos
súplices e esforcem-se seus gemidos por obter a prosperidade e os
progressos perseverantes do cristianismo, a tranqüila fruição, para a
Igreja, da liberdade necessária, o retorno dos transviados ao bem, o
triunfo da verdade sobre o erro, da virtude sobre o vício.
35.
Roguemos à Virgem Maria, Mãe de Deus, se faça nossa auxiliar e nossa
intérprete. Vitoriosa de Satanás desde o primeiro instante da sua
conceição, desenvolva ela o seu poder contra as seitas reprovadas que
tão evidentemente fazem reviver entre nós o espírito de revolta, a
incorrigível perfídia e a astúcia do demônio. Chamemos em nosso auxílio o
príncipe das Milícias celestes, S. Miguel, que precipitou nos infernos
os anjos revoltados; depois S. José, o esposo da Santíssima Virgem, o
celeste e tutelar padroeiro da Igreja Católica, e os grandes apóstolos
S. Pedro e S. Paulo, esses infatigáveis semeadores e esses campeões
invencíveis da fé católica. Graças à proteção deles e à perseverança de
todos os fiéis na oração, temos a confiança de que Deus se dignará de
enviar um socorro oportuno e misericordioso ao gênero humano exposto a
tamanho perigo.
Nesse ínterim, como penhor dos dons celestes e
como testemunho da Nossa benevolência, do fundo do coração Vos enviamos a
benção apostólica, a Vós, Veneráveis Irmãos, bem como ao clero e aos
povos confiados à Vossa solicitude.
Dado em Roma, em S. Pedro, a 20 de Abril de 1884, sétimo ano do nosso Pontificado.
LEÃO XIII, PAPA.
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