quarta-feira, 5 de outubro de 2011

COM APOIO DA ONU, COMUNISTAS DO CAMBOJA SÃO LEVADOS À JULGAMENTO, NÃO CEDENDO A PRESSÃO INTERNACIONAL


Camboja: Julgamento histórico de ex-líderes do Khmer Vermelho começa em 27 de junho de 2011.


Quatro ex-políticos pertencentes ao regime Khmer Vermelho começam hoje a ser julgados por genocídio e outros crimes de guerra, em Phnom Penh, capital do Camboja, num tribunal patrocinado pela ONU. O julgamento acontece mais de 30 anos após os crimes que dizimaram 25% da população cambojana.
O ideólogo do regime de Pol Pot, o "Irmão Número Dois" Nuon Chea, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Ieng Sary e a sua ex-mulher, ex-ministra de Assuntos Sociais, Ieng Thirith, e o presidente da "Kampuchea Democrática" Khieu Samphan são acusados de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Todos declararam inocência perante as acusações.
O regime comunista radical foi liderado por Pol Pot, que morreu em 1998 sem ter sido julgado pelos crimes de guerra. Os quatro com idades entre 79 e 85 anos, estiveram presentes no tribunal, e visivelmente cansados, noticia a AFP.
"Não estou feliz com esta audiência", declarou Nuon Chea, com óculos escuros, antes de informar que seu advogado falaria no tribunal. O ideólogo deum recente documentário admitiu o massacre dos "traidores" que não puderam ser "reabilitados ou corrigidos".
Os primeiros depoimentos dos acusados, detidos em um edifício anexo ao tribunal desde 2007, só acontecerão em agosto, na melhor das hipóteses.
Até quinta-feira, as audiências preliminares serão dedicadas a questões processuais, em particular ao exame das listas de testemunhas.
30 anos depois dos Khmer Vermelho ter colapsado no Camboja e ter causado a morte de um quarto da população do país, o julgamento é considerado um dos mais importante do tribunal das Nações Unidas e já custou mais de 100 milhões de dólares.
As autoridades do regime de Pol Pot terão de explicar também a implementação metódica e calculada, entre 1975 e 1979, de uma utopia marxista radical que matou por exaustão, fome e doenças, ou com torturas e execuções, dois milhões de pessoas.
Apesar do término oficial do regime em 1979, os seus líderes e exércitos continuaram a luta nas selvas onde a guerra de guerrilhas durou mais de 10 anos.
Julgamento mais complexo desde os crimes nazis
O termo genocídio é utilizado com frequência para explicar o período, mas as atrocidades cometidas contra o povo "khmer" não são reconhecidas como tal pela ONU. Esta acusação é aplicada apenas ao massacre dos vietnamitas e da minoria étnica dos "cham" muçulmanos.
Segundo o New York Times, apesar dos quatro líderes estarem vivos e terem comparecido em tribunal, o julgamento pode arrastar-se durante vários anos e o estado de saúde débil dos réus tem preocupado as autoridades judiciais.
Este processo difere dos outros tribunais de exceção internacionais, já que acontece no local em que ocorreram os crimes julgados, ao contrário do Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia (Haia, Holanda) e do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (Arusha, Tanzânia).
O caso conta com a participação de milhares de civis, centenas de testemunhas, e é constituído por milhares de páginas e doumentos de prova e prevê a utilização de três línguas: Khmar, Francês e Inglês.
Para o promotor internacional Andrew Cayley, este é o caso mais importante e complexo desde Nuremberga, cidade alemã onde os líderes nazis foram julgados pelo extermínio de seis milhões de judeus, após a Segunda Guerra Mundial.
"É o processo mais importante que terá o tribunal patrocinado pela ONU", uma jurisdição híbrida criada em 2006, acrescentou.
No primeiro julgamento, o tribunal condenou, em julho de 2010, a 30 anos de prisão Kaing Guek Eav, conhecido como "Duch", ex-diretor da prisão de Tuol Sleng, onde 15.000 pessoas foram torturadas antes de ser executadas.
Duch, fez uma confissão completa e pediu perdão às vítimas. Suplicou também a sua absolvição, alegando que não foi uma grande figura do regime. A decisão será tomada nas próximas semanas.
@SAPO com AFP
Fonte: http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1163735.html






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