Orígenes, da escola de Alexandria, nasceu em 185 d.C. e faleceu em 253, por conta da perseguição de Décio aos cristãos; foi terrivelmente torturado e morto. Portador de uma inteligência privilegiada, foi um dos maiores escritores cristãos da antiguidade, sobretudo como intérprete da Bíblia.
Orígenes é um dos maiores teólogos e escritores do começo do cristianismo. Com ele iniciou-se o posterior constante diálogo entre a filosofia e a fé cristã e uma tentativa de fusão das duas.
Ele aceitava com verdadeiros somente os quatro evangelhos e sustentava a necessidade do batismo, pois esse coincidia com a pratica e as regras da igreja que foi fundada sobre a tradição apostólica. Pregava que temos somente duas luzes para nos guiar, Cristo e a Igreja e essa última reflete fielmente os ensinamentos recebidos de Cristo como a lua reflete os raios do sol. O que distingue o cristão é pertencer à igreja e fora dela não existe salvação, quem vive à sua margem vive na escuridão.
Orígenes defendia que os escritores da Sagrada Escritura foram inspirados por Deus e por isso elas são obra de Deus, mas o autor inspirado conserva enquanto escreve, as suas faculdades mentais, ele sabe o que está escrevendo e tem a liberdade de escrever ou não. Se as Sagradas Escrituras tem origem em Deus, elas também têm que ter as suas características como a verdade, não podendo, portanto serem falsas. Existem para ele três formas de interpretarmos as Sagradas Escrituras: 1° literalmente, 2° Moralmente e 3° Espiritualmente. A interpretação espiritual é a mais importante e a mais difícil de ser feita. A forma como lemos as Escrituras Sagradas indica também o nosso estágio de amadurecimento espiritual e nossa capacidade intelectual.
As teorias de Orígenes convergem para a Trindade Divina e essa se diferencia de todas as outras criaturas por ser plenamente imaterial, onisciente e essencialmente santa. Os pecados somente podem ser perdoados através da ação concomitante do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As três pessoas da Trindade são indivisíveis em presença e obra. Orígenes reafirma a virgindade de Maria, que foi casada com José, mas não se uniu carnalmente com ele. Coloca também em Pedro a fundação da Igreja.
Mas por mais que tentemos interpretar Deus, não poderemos nunca conhecer a sua natureza, pois ele é incompreensível para nós e impenetrável para nossa inteligência. Podemos somente compreender algumas coisas de Deus, mas ele é muito superior a esse nosso entendimento. Deus além de inteligência é a origem e causa de toda inteligência.
O filósofo defendia que a matéria existe em função do espírito e que se o espírito não tivesse necessidade da matéria ela não existiria, pois ela não tem o fim em si mesma.
Para Orígenes o fim vai ser igual ao começo, todas as coisas vão voltar a ser como foram criadas por Deus, vão ser refeitas como eram em seu estado original. O fim vai ser semelhante ao começo. Como teremos somente um fim assim tivemos também somente um começo.
Sobre o direito Orígenes formula a teoria das duas leis, as leis dos homens e as leis divinas. As leis dos homens são as formuladas pelos legisladores dos diversos estados e as leis divinas nos vem diretamente de Deus através das escrituras. Para ele se as leis dos homens não forem contra as leis divinas os cristãos devem seguir as leis dos homens, mas se os legisladores formularem leis que forem contra as leis divinas os cristãos não são obrigados a seguir essas leis e deve obedecer somente a lei divina, mesmo que isso implique a sua morte.
Sentença:
- O nosso começo foi como será nosso fim.
Orígenes nos dá uma interessante interpretação da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 3, 10-15:
“Segundo a graça que Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele. Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo.”
“Pois se sobre o fundamento de Cristo construístes não apenas ouro, prata e pedras preciosas, mas ainda madeira, cana e palha, o que esperas que ocorra quando a alma seja separada do corpo? Entrarias no céu com tua madeira, cana e palha e, deste modo, mancharias o reino de Deus? Ou em razão destes obstáculos poderias ficar sem receber o prêmio por teu ouro, prata e pedras preciosas? Nenhum destes casos seria justo. Com efeito, serás submetido ao fogo que queimará os materiais levianos. Para nosso Deus, àqueles que podem compreender as coisas do Céu, encontra-se o chamado ‘fogo purificador’. Porém, este fogo não consome a criatura, mas aquilo que ela construiu: madeira, cana ou palha. É manifesto que o fogo destrói a madeira de nossas transgressões e logo nos devolve o prêmio de nossas grandes obras” (P.G. 13, col. 445,448) .
Fontes: http://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=40

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