Novo Código Florestal: Reforma Agrária vermelha do comunismo reaparece disfarçada na bandeira verde
Em Brasília, nos últimos dias úteis da semana que passou, foi
entregue em mãos aos Sres. Deputados e seus chefes de gabinete uma
entrevista especial, sobre tema que paira como uma ameaça sobre o futuro
do Brasil.
O entrevistado é o príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança, coordenador e porta-voz do movimento Paz no Campo, e versa sobre o projeto de Novo Código Florestal que a Câmara está debatendo.
Esse projeto, sobre tudo na radical versão aprovada no Senado,
constitui um dos mais ousados lances da ofensiva “vermelha”, disfarçada
sob o Verde do ambientalismo.
Reproduzimos a seguir a íntegra da mesma:
Novo Código Florestal: perseguição
aos produtores rurais brasileiros
Se o novo Código Florestal for aplicado, nossa agropecuária ficará “engessada”. Por que tanta perseguição ao agricultor? A Reforma Agrária que sob a bandeira vermelha do comunismo não se conseguiu implantar, reaparece disfarçada na bandeira verde do ambientalismo.
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Dom Bertrand: “o superávit de nossa balança comercial
se deveu aos beneméritos produtores rurais. Não há explicação para se perseguir tanto essa classe” |
Em recente entrevista de uma hora concedida à TV Canal do Boi,
Dom Bertrand defendeu, com a ênfase que lhe é própria, o direito de
propriedade contra os atropelos do propalado projeto de novo Código
Florestal. Catolicismo quis então
entrevistá-lo, a fim de que esclarecesse nossos leitores sobre os riscos
que o ambientalismo radical propugnado por certas Ongs representa para a
agropecuária brasileira. No momento da entrevista, conduzida pelo
jornalista Nelson Barretto, o projeto continuava em discussão na Câmara.
* * *
Catolicismo —
Quais são os riscos que o projeto de novo Código Florestal, em fase
final de votação na Câmara dos Deputados, representa para a agropecuária
brasileira e o seu desempenho?
Dom Bertrand —
Considero que há muitos riscos. Caso prevaleça a redação que lhe foi
dada e aprovada no Senado, o novo Código Florestal causará uma perda
para a agricultura de 33 milhões de hectares, segundo estimativas de um
dirigente do Ministério do Meio Ambiente. Para outros técnicos,
tal área poderá atingir 60 milhões de hectares, o que representa um
prejuízo anual de 46 bilhões de reais na produção oriunda do meio rural.
Dentro da crise econômica mundial, todos sabem que foi a agropecuária
que salvou o Brasil. O superávit de nossa balança comercial se deveu aos
beneméritos produtores rurais, e por isso não há qualquer explicação
para se perseguir tanto a classe à qual eles pertencem.
Para
que se possa ter uma ideia disso, note-se que, além de alimentar todo o
povo brasileiro, nossos agricultores fizeram com que o Brasil se
tornasse o segundo maior exportador de alimentos do mundo. E é também
graças ao incansável e pouco valorizado trabalho deles que o alimento
chega a cada ano proporcionalmente mais barato à mesa dos brasileiros. O
normal seria que as autoridades e os citadinos reconhecessem o empenho
desses verdadeiros heróis, que são paradoxalmente os grandes perseguidos
com as leis ambientais e com o projeto de novo Código Florestal!
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| “O Código Florestal limita fortemente o direito de propriedade, na exploração do solo e das florestas” |
Dom Bertrand —
Na realidade, fala-se muito de poluição, aquecimento global, etc.
Embora a poluição evidentemente exista, o maior responsável por ela não é
o agricultor, mas são as cidades. Há estudos comprovando isso.
Entretanto, somente o ruralista é responsabilizado. O agricultor, eu
repito, é um dos grandes beneméritos do Brasil atual.
Além
disso, o Brasil é o País com mais áreas protegidas em todo o mundo: 2,4
milhões de quilômetros quadrados, 28% de seu território. E o único que
ainda preserva 69% de sua vegetação natural.
É precisamente por essas razoes que criamos e mantemos a nossa campanha Paz no Campo,
a qual visa propiciar condições para que os agricultores possam cumprir
tranquilamente a sua missão. Não apenas no tocante às suas respectivas
famílias e ao conjunto da agricultura brasileira, mas também em relação
ao mundo, que num futuro próximo vai depender em boa medida do Brasil.
Segundo
levantamento realizado pela FAO, órgão da ONU encarregado dos
alimentos, faltará alimentos para sustentar a população mundial e o
único país com meios para atender às necessidades do mundo é nosso País.
Catolicismo —
Nossos leitores certamente gostariam de saber como foi gestada essa
legislação ambiental. Seria possível fazer um breve relato de sua gênese
e desenvolvimento?
Dom Bertrand —
O Código Florestal de 1965 era uma boa lei para a época. Ele foi
elaborado a partir de um estudo sério sobre a legislação florestal no
mundo e no Brasil de então. E conseguiu reunir as preocupações
existentes com as florestas ao longo de nossa história; desde o
Brasil-Colônia, com as Ordenações do Reino, depois com as Leis Imperiais
que preservavam as “madeiras de lei” e o seu manejo, para que sempre
houvesse madeira para a construção e indústria. Estabeleceu, assim, uma
reserva de 25% das florestas existentes (e não 25% do total da
propriedade). Mas ao longo desses 47 anos o Código Florestal original
foi sendo modificado por meio de alterações substanciais, e nunca
constituiu matéria votada pelo Congresso Nacional. Aliás, consta que
este nem sequer foi consultado a propósito.
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“Paz no Campo propicia condições para que os agricultores
cumpram tranquilamente a sua missão” |
O
Código Florestal assim entulhado acabou por estabelecer fortes limites
ao direito de propriedade, tanto no uso quanto na exploração do solo e
das florestas. De início, a Reserva Legal prevista abarcava apenas 25%
das florestas existentes. Mais tarde chegou a atingir 20% da propriedade
rural. Hoje, tal percentual chega a 80% na região amazônica, 35% no
cerrado e 20% nas demais áreas do País. Já em 1986 havia sido adicionado
o conceito novo de Áreas de Preservação Permanente (APPs) foi
adicionado em 1986.
Uma
agravante surgiu a partir de 1998. O Código Florestal passou a
incorporar a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), a qual transformou
diversas infrações administrativas em delito. Tal mudança permitiu aos
órgãos de fiscalização ambiental aplicar aos “infratores” multas
escorchantes, às vezes ultrapassando o valor de suas propriedades, além
da probabilidade de acarretar prisão.
Todo
esse conjunto de normas, somado às diretrizes provenientes de
legislações envolvendo terras indígenas, proteção ambiental e
quilombolas, deixará engessado (no jargão de hoje, significa que será
proibida a exploração) em torno de 74% do território nacional, aberração
jamais vista na história de qualquer nação.
Catolicismo —
Dom Bertrand acaba de se referir à Lei de Crimes Ambientais a partir de
1998. Poderia nos falar sobre as implicações dela na classe rural?
Dom Bertrand —
A legislação coloca na ilegalidade mais de 90% do universo de 5,2
milhões de propriedades rurais do País. Atividades inteiras viram-se do
dia para a noite à margem da lei, submetidas às pressões e sanções dos
órgãos ambientais e do Ministério Público. Homens do campo cumpridores
da lei, que nunca antes tinham passado por tribunais ou delegacias de
polícia, viram-se de repente arrastados por processos, acusações e
delitos que não sabiam ter praticado. Chegou mesmo a haver lamentáveis
casos de suicídio, bem como de abandono das propriedades por aqueles que
não suportaram a situação em que foram colhidos.
De
acordo com o próprio relatório do projeto de novo Código Florestal
aprovado em primeira votação na Câmara, os dispositivos legais
existentes podem transformar em crime ambiental o próprio ato de viver.
Percorrendo o labirinto legal de milhares de normas entre leis,
portarias, instruções normativas, decretos, resoluções do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (Conama) e legislações estaduais, a autoridade
ambiental ou policial pode interpretar como crime ambiental a simples
extração de uma minhoca na margem de um riacho.
Pode
incriminar ainda a tradição indígena e camponesa de fermentar a
mandioca usando livremente o curso d’água; a extração do barro para
rebocar as paredes das casas de taipa dos moradores da roça; a extração
do pipiri para a confecção das tradicionais esteiras do Nordeste, ou as
atividades seculares das populações ribeirinhas por toda a Amazônia.
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“O Brasil poderá passar de exportador
de alimentos a importador, no momento
em que o mundo mais precisa”
|
A
criação bovina nas planícies pantaneiras passou para a ilegalidade. No
bioma mais preservado do Brasil, o boi é criado em capim nativo, método
totalmente sustentável, mas que se tornou ilegal a partir da legislação
que considera todo o Pantanal Área de Preservação Permanente (APP). Fora
da lei estão também 75% dos produtores de arroz, por cultivarem em
várzeas, prática adotada há milênios na China, na Índia e no Vietnã,
para não falar de produtores europeus e norte-americanos que usam suas
várzeas há séculos para a agricultura.
Em
desacordo com a norma legal encontra-se também boa parte da banana
produzida no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, a qual abastece 20
milhões de consumidores a pouco mais de 100 quilômetros do centro de
produção. A situação é igual para milhares de agricultores que cultivam
café, maçã e uva em encostas e topos de morros em Minas, Espírito Santo,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Catolicismo — Dom Bertrand teria uma palavra de orientação para os nossos leitores diante desse quadro sombrio?
D. Bertrand —
Em face dessa grave e preocupante situação queremos unir as forças
sadias de toda a sociedade a fim de afastar da agropecuária tais
ameaças. Desejamos garantir o nosso futuro com alimentação abundante e
compatível com o bolso do povo brasileiro. Se não houver reação, o
Brasil poderá passar de exportador de alimentos a importador, exatamente
no momento em que o mundo mais precisa de nossa produção.
Convido todos os leitores de Catolicismo a participarem da campanha de Paz no Campo acessando o site www.paznocampo.org.br
e enviando seus protestos aos deputados. Termino suplicando a Nossa
Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, que nos dê força e
coragem para esta emergência em que vivemos.
Publicado em “Catolicismo”, edição de abril 2012.
Fonte: http://www.ipco.org.br/home/noticias/novo-codigo-florestal-reforma-agraria-vermelha-do-comunismo-reaparece-disfarcada-na-bandeira-verde





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