Abgaro Ukkama V (imagem acima) foi rei da cidade de Edessa (Síria) entre
4 a.C. e 7 dC, quando foi destronado por seu irmão Mahanu IV: A
tradição oral na antiga Síria diz que, por volta do ano 32 d.C.,
sofrendo de terrível lepra, Abgaro escreveu uma carta endereçada a
Jesus, pedindo para que ele fosse até Edessa para curá-lo.
Abgaro V ou Abgarus V de Edessa (reinou entre 4 AC - 7 DC e 13 - 50
d.C.) foi rei do reino de Osroena, situando a sua capital em Edessa, na
Mesopotâmia (atual Síria), também designada por Aram-Naharaim no Velho
Testamento e de acordo com escritos muitíssimos antigos (para críticos
pura lenda), Abgaro foi convertido ao Cristianismo por Addai, um dos
Setenta e Dois Discípulos de Jesus (Lucas 10:1-20).
Euzébio de Cesaréia escreveu, por volta do ano 300, um livro em dez
partes intitulado “História Eclesiástica”, narrando como a igreja se
desenvolveu desde o início, como suportou as perseguições, quem foram os
mártires, a sucessão dos bispos nas cidades mais importantes e muito
mais. E é nesse livro que ele não somente conta a história da carta
escrita por Jesus, como ainda afirma que a teve em mãos e a transcreve
na íntegra.
De acordo com ele, Abgaro, o Negro, rei de Edessa (que hoje fica na Turquia)
ficou sabendo das pregações de Jesus e, como sofria de uma doença
incurável enviou uma carta para Ele pedindo ajuda. A carta é citada na
íntegra por Euzébio:
“Abgaro Ucama, toparca, a Jesus, o bom salvador que surgiu na região de Jerusalém, saudações:
Tem chegado a meus ouvidos notícias acerca de tua pessoa e de tuas curas, que, ao que parece, realizas sem empregar remédios ou ervas, pois pelo que se conta, fazes com que os cegos recobrem a visão e que os coxos andem; limpas os leprosos e retiras espíritos impuros e demônios; curas os que estão atormentados por longa enfermidade e ressuscitas mortos.
E eu, ao ouvir tudo isto de ti, pus-me a pensar que, de duas possibilidades uma: ou és Deus, que descendo pessoalmente do céu realizas estas maravilhas, ou és filho de Deus, já que fazes tais obras.
Este é, pois, o motivo para escrever-te rogando-te que te apresses a vir a mim e curar-me do mal que me aflige. Porque também tenho ouvido que os judeus andam murmurando contra ti e querem fazer-te mal. Muito pequena é minha cidade, mas digna, e bastará para os dois.”
Euzébio dá até o nome do portador da carta, Ananias. É uma história
surpreendente, pois se for verdade mostra que Jesus teve sua fama
espalhada por terras distantes enquanto ainda pregava. E Ele pregou por
muito pouco tempo – de acordo com os três primeiros evangelhos, somente
por um ano e meio. Já de acordo com João, teriam sido três anos.
Mais surpreendente ainda é que Jesus teria respondido à carta. E de
próprio punho, de acordo com Euzébio. Jesus era, portanto, alfabetizado,
coisa rara naquela época, se bem que nos apócrifos Ele aparece indo à
escola – e confundindo os seus mestres. Eu já escrevi sobre isso também. Eis a resposta de Jesus, de acordo com a “História Eclesiástica”:
“Bem-aventurado tu, que creste em mim sem ter me visto. Porque de mim está escrito que os que me viram não crerão em mim, e que aqueles que não me viram crerão e terão a vida. Mas, acerca do que me escreves de ir para junto de ti, é necessário que eu cumpra aqui por inteiro minha missão e que, depois de havê-la consumado, suba novamente ao que me enviou.
Quando tiver subido, te mandarei algum de meus discípulos, que sanará tua doença e trará a vida a ti e aos teus.”
Foto: http://www.pastormoysesbarbosa.com/biblia_ciencia/images/73/01.jpg

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